domingo, 17 de fevereiro de 2019

Lena Guimarães
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É tarde para a oposição?

09 de fevereiro de 2019
O governador João Azevedo fez uma constatação irrefutável, ontem, quando foi instado a comentar sobre o pedido de CPI da Cruz Vermelha: “a oposição está chegando tarde”. É fato que desde 2011 seus deputados criticam os contratos com organizações sociais, e que faltou estratégia e ações para confrontar o esquema que foi revelado agora pelos promotores do Gaeco/MPPB e MPRJ.

A falta de persistência no passado, contudo, não invalida o esforço atual da oposição para formação de uma CPI. Não seria “inócua” como diz o governador. Ele tem razão quando afirma que garantiria holofotes para alguns deputados, mas com certeza sobraria muita luz para iluminar os personagens desse caso, que a cada dia parece mais surpreendente.

Exemplo? Os áudios vazados, ontem, que supostamente registram dois secretários e empresário combinando os detalhes de uma licitação na área da Saúde, além de conversas sobre alianças com partidos.

Os áudios complicam a já difícil defesa do governo, que até a divulgação das investigações da Operação Calvário trabalhava a imagem de republicano e eficiente. Agora, a oposição encontrou a abertura para atacar e se reposicionar depois da derrota nas urnas de outubro passado.

Adversário do PSB, o prefeito Luciano Cartaxo (João Pessoa) foi direto na jugular: “Segundo o Ministério Público, o governo do Estado ao invés de contratar uma organização social, contratou uma organização criminosa, ou como o próprio MP diz, uma ORCRIM, e faz um contrato no valor de R$ 1,1 bilhão nesse período todo”.

E continua: “É um valor muito expressivo para uma empresa que não tinha nenhuma qualificação em trabalho hospitalar. Esse contrato também foi feito sem licitação. Você imagine o que é fazer um contrato de mais de R$ 1 bilhão, assim”.

Ele lembrou que segundo o que foi revelado, dinheiro desviado da Saúde foi destinado a campanha eleitoral, e avisou que vai avaliar esse fato e seus desdobramentos. Ele acha que Ricardo Coutinho “colocou uma bomba no colo do governador João Azevedo”.

Pergunta de Cartaxo: “Como é que o governo insiste em manter um contrato com empresa, a Cruz Vermelha, aonde está instalada uma quadrilha, uma organização criminosa segundo o MP?”

A oposição está sentindo que agora tem como desmistificar os socialistas.

TORPEDO

"Eu acho que é inócua, até porque o modo de trabalho de uma CPI é fazer um levantamento, um relatório, e entregar ao Ministério Público. Nesse processo a oposição está chegando atrasada diante do que está acontecendo."

Do governador João Azevedo, lembrando que o MPPB já está investigando “a relação da Cruz Vermelha e os seus fornecedores”.

Estímulo

O ex-deputado e escritor Francisco Evangelista ofereceu generoso incentivo a esta coluna, pelo registro dos fatos da operação Calvário, que surpreenderam a Paraíba e mostram o valor dos órgãos fiscalizadores.

Conceito

“Há uma afirmação incontestável de que: “sem jornalismo público, independente e qualificado, o futuro da democracia é incerto e preocupante”, diz, e aponta “independência, coragem e qualidade” nesta coluna.

Gaeco e TJ

Francisco Evangelista destaca o trabalho do Gaeco, elogia a “decisão inteligente e bem fundamentada” do desembargador Ricardo Vital sobre o destino do dinheiro “que deveria ter ido para a saúde” dos paraibanos.

A história

E arremata: “Como político, nunca fui omisso e sempre defendi o que era justo e honesto, e como jornalista e escritor, escrevo sobre o que acho correto, sem medo ou covardia, pois os covardes não fazem história”.

Contra...

Será no dia 30 de março, em João Pessoa, a 2ª edição da Corrida contra a Corrupção, promovida pela Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal. Largada será às 17h, no Busto do Almirante Tamandaré.

... corrupção

A delegada Carolina Patriota diz que objetivo “é sensibilizar a sociedade para a importância da autonomia e independência da PF, proporcionando isenção nas investigações contra a corrupção, reduzindo a impunidade”.

ZIGUE-ZAGUE

< O juiz Bruno Azevedo, do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflito e a Comissão de Mediação e Arbitragem da OAB-PB discutem parcerias.

> Entre os projetos, a promoção de mutirões e conciliação comunitária para solução de conflitos entre o cidadão e empresas. Em abril virá o Mutirão da Cagepa.

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