segunda, 20 de maio de 2019

Roberto Cavalcanti
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Destravando 1987

14 de abril de 2019
Sempre tenho em mente a frase emblemática de nosso inesquecível radialista Luiz Otávio: “O que me lasca é a minha memória”. Quando a minha falha, recorro sempre a algumas privilegiadas.

Eis que em uma manhã, dias atrás, enquanto estava fazendo uma intrincada negociação via telefônica, percebo alguém insistentemente tentando me acessar. Já estavam registradas oito tentativas de contato. Algo importante deveria ser.

Retornei assim que foi possível e do outro lado da linha estava o querido amigo Wills Leal, jornalista e escritor que além de memória prodigiosa, tem anotações sobre fontes, fatos e detalhes importantes da nossa história recente, alguns transformados em livro.

Wills lembrava fato ocorrido em 16 de junho de 1987, que também testemunhei. Foi durante o governo Burity II, quando tivemos a solenidade de lançamento da pedra fundamental do Polo Turístico Cabo Branco, inicialmente chamado de Costa do Sol, que pretendia dotar a Paraíba de bons hotéis e outros equipamentos capazes de atrair viajantes do mundo para o nosso litoral.

Já se foram 32 anos de expectativas para sua materialização. O resgate histórico de Wills não dizia respeito apenas ao evento, mas ao que agregou, na época: nada mais, nada menos que a prestigiosa presença do presidente nacional da Embratur. Sabem quem era? João Dória Júnior, atual governador de São Paulo.

Dias depois, Dória se envolveria em polêmica declaração durante sua visita a Fortaleza, ao considerar que o sol e o cenário da caatinga poderiam ser turisticamente explorados pelo Nordeste. Debates ganharam repercussão nacional.

Volto ao nosso Polo Turístico. Atualmente o Brasil está dividido em tudo, e a Paraíba não sai do destrutivo debate político. Por isso mesmo é chegada a hora de todos nos unirmos em prol da sua materialização, pois significa investimentos, geração de empregos e mais arrecadação para o Estado.

Conheço a fundo empresas que à época da licitação se habilitaram a empreender, pagaram suas partes junto a PBTur, registraram suas escrituras nos cartórios competentes assegurando suas propriedades, apresentaram seus projetos e até hoje estão impedidas de edificarem os seus empreendimentos. Questões legais e ambientais obstaculam sua materialização.

De Burity II até agora já tivemos 13 governos: Ronaldo Cunha Lima, Cícero Lucena, Antônio Mariz, José Maranhão I e II, Roberto Paulino, Cássio Cunha Lima I e II, José Maranhão III, Ricardo Coutinho I e II, e atualmente João Azevêdo. Cada um com suas ideias e conceitos, mas frustrados pelos mesmos impedimentos.

Temos capacitadas pessoas para resgatarem toda essa história, a exemplo de Wills Leal e de um pioneiro batalhador e defensor dessa causa, que é Ivan Burity, ainda hoje à frente do projeto.

É chegada a hora, como bem lembrou Wills, de darmos as mãos, e respeitando as leis e os direitos inerentes às partes, levarmos adiante essa redentora ideia.

Temos já construído, graças a excepcionalidade de sua licença ambiental, o fantástico equipamento turístico que é o Centro de Convenções. Nele, o reconhecido nacionalmente Teatro Pedra do Reino, apontado como o mais completo do Brasil.

Temos outras vantagens: um governo local com proposta desenvolvimentista; um momento federal onde a privatização é meta, e o polo foi concebido dentro desse conceito; o amadurecimento do turismo paraibano; taxas cambiais que favorecem o turismo nacional; a consolidação de empresas locais, capacitadas a adequarem seus projetos ao mercado e a tecnologia evolutiva ao longo desses 32 nos.

Acredito no Brasil do empreendedorismo e da superação das crises política e econômica. Não nos falta nada para destravar aquele belo projeto, no qual pessoalmente acredito desde a sua concepção inicial.

Para finalizar, temos até como testemunha histórica e incentivador do mesmo o atual Governador de São Paulo, Estado detentor de aproximadamente 30% do PIB brasileiro e o maior emissor do turismo nacional. Podemos, todos juntos, concretizar esse sonho.

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