quarta, 17 de julho de 2019

Roberto Cavalcanti
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Destino?

23 de maio de 2019
Sou comedido em narrativas sobre destino. Procuro sempre uma razão lógica para as coisas e para os fatos. Jamais escreveria sobre o acaso. Vou resgatar uma história da nossa família que faz parte de mim.

Volto ao passado, 1947/1949, à vida de meu pai como estudante de antropologia nos USA. Seu trabalho científico proporcionou ser ele o primeiro brasileiro a se formar em antropologia naquele país.

Concluiu seus estudos com a aprovação da tese “The Afrobrazilian Cult - Groups of Recife, a Study in Social Adjustment” (Master of Arts) – Northwestern University, Evanston – Illinois.

Uma época por demais dura para um brasileiro classe média, bolsista, passando parte desse tempo sozinho, longe da família. Posteriormente, consegue apenas levar a esposa, Beatriz, minha mãe, para ficar ao seu lado, deixando no Brasil os filhos Celina e Roberto. Com apenas um ano de idade, não devo ter entendido nada. Mas, resisti bem e estou aqui.

Meu pai, graças ao bom curso e por ter tido a oportunidade de manter, por toda a sua vida, estreita interatividade com aquela prestigiosa instituição, transmitiu para nós o respeito ao conhecimento alí adquirido. Ele era “Full Membership” na Sociedade Honorífica Sigma XI. Sempre tive em minha mente o seu nome gravado: “Northwestern”.

O tempo passa, as gerações se sucedem. Minha irmã escolheu estudar na “Indiana University”, desconectando nossa família do estado de Illinois.

Seu filho Hans, que tem 50% de sangue alemão herdado do pai, Georg Hutzler (3ª geração), ficou no Brasil. Casou com Karina e geraram uma filha, Marina (4ª geração), superaplicada velejadora e laureada nos estudos.

Altiva e independente aos 17 anos, ela tomou uma decisão pessoal de estudar nos USA. Acompanhada por meu sobrinho, que não teve em sua formação profissional nenhum contato norte-americano, percorreram 16 universidades no exterior, tendo Marina sido pré-aprovada, com louvor, em todas.

Da cabecinha dela, com zero de influência familiar, decide-se por uma delas.

Recebo um convite, agora digital (contribuição para preservação das árvores que embelezam nosso planeta), para ir a Recife comemorar, em dose dupla, as bodas de prata do meu sobrinho e as fantásticas aprovações da sobrinha-neta.

Chego na festa, absolutamente inocente do que iria encontrar. Caminhando pelo salão deslumbrantemente decorado, me deparo com o lindo bolo comemorativo. Não acredito! Leio por várias vezes e faço viagem sentimental aos meus primeiros anos de vida. Lá estava escrito: “Northwestern University”.

Razão e lógica? É uma das melhores universidades do mundo. Destino? Carrega 1/8 do sangue do antropólogo René Ribeiro, seu bisavô.

Relendo o que escrevi, a emoção que senti naquela fração de tempo, abraço o entendimento do fenomenal físico judeu-alemão Albert Einstein: “Temos o destino que merecemos. O nosso destino está de acordo com os nossos méritos”.

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