sábado, 23 de março de 2019

Lena Guimarães
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Derrota órfã

13 de novembro de 2018
Ouvindo as declarações do prefeito Luciano Cartaxo e do irmão e ex-candidato ao governo, Lucélio Cartaxo, sobre os resultados das eleições na Paraíba, impossível não concordar com John Kennedy quando disse que “a vitória tem muitos pais, a derrota é órfã”.

Pelo que disseram, foi a fragmentação da oposição que causou à maior derrota em 20 anos na disputa pelo governo da Paraíba. Segundo Lucélio, o fato do MDB não ter aceito seu nome foi um equívoco, uma vez que foi mais bem votado que José Maranhão.

Questões importantes como base política, plano de governo, discurso, os debates, o guia eleitoral, as redes sociais e a desconstrução dos adversários – como fez Ricardo Coutinho rotulando a chapa de “A grande família”, e atribuindo a escolha de Lucélio unicamente ao fato de ser irmão do prefeito da Capital - não entraram na análise.

Realmente, não é fácil explicar uma derrota por uma diferença de 34,77 pontos percentuais, como foi a imposta por João sobre Lucélio. E o governista não era um líder testado nas urnas, mas um estreante.

A diferença de João para o segundo colocado só tem precedente na eleição de 1998, quando Maranhão, com 80,72% dos votos, colocou 64,61 pontos percentuais sobre Gilvan Freire, que somou apenas 16,11%.

Desde 1982, quando tivemos a primeira eleição direta pós revolução de 1964, nenhuma diferença foi tão alta. Naquele ano, apesar do voto vinculado, a de Wilson Braga para Antonio Mariz foi de 17,39 pontos. Em 1986, Burity colocou 24 pontos sobre Marcondes Gadelha. Em 1990, a de Ronaldo sobre Braga foi de 9,45 pontos.

Em 1994, Mariz venceu Lúcia Braga com uma diferença de 16,6 pontos percentuais. Em 2002, Cássio só conseguiu 2,7 pontos sobre Roberto Paulino. Em 2006, contra Maranhão foi 2,71 pontos. Em 2010, Ricardo colocou 7,4 pontos sobre o peemedebista e em 2014, 4,22 pontos sobre Cássio Cunha Lima.

A divisão enfraqueceu a oposição, mas a multiplicidade de candidaturas não foi a única causa do insucesso. Em 1990 foram cinco candidatos e a oposição ganhou. Em 1998, ano do recorde, também foram cinco. Em 2010, quando Ricardo derrotou Maranhão, foram seis.

Se quiser um resultado diferente nas próximas eleições, a oposição tem que pensar em um projeto para o Estado e em sintonia com o povo. Bolsonaro é exemplo. Todos estavam contra ele, e venceu.

Torpedo

"Foi um erro da oposição enfrentar um governo com estrutura muito forte, de forma dividida. Se estivéssemos juntos desde o primeiro momento, com toda certeza, o resultado seria outro completamente diferente." (De Lucélio Cartaxo (PV), ainda sobre a derrota para João Azevedo (PSB) na disputa pelo Governo da Paraíba.)

Pimenta

A visão de Ricardo é outra: “A população puniu quem só tem conversa, quem só tem discurso vazio, quem não consegue respeitar minimamente o progresso que uma cidade do porte de João Pessoa”.

Pacificação

De volta a Paraíba após viagem de férias, o governador eleito João Azevedo, ao lado do atual, Ricardo Coutinho, comandou reunião com o objetivo de pacificar a bancada governista na Assembleia.

Calo

Os governistas elegeram 22 deputados. A maioria apoiou Adriano Galdino para presidir Legislativo e uma PEC que proíbe antecipação de eleição e reeleição, que causou indignação de Ricardo, não consultado.

Fora da pauta

Romero Rodrigues negou que tenha tratado com Julian Lemos sobre indicações para o governo, especialmente de sua mulher, Micheline, e que em Brasília só tratou de emendas para Campina Grande.

Encontro

Dos 14 deputados estaduais eleitos pela oposição, 13 farão uma primeira reunião, hoje. Tovar Correia Lima disse que será apenas para conhecimento. Tem novatos. Definição do líder ficará para janeiro.

Comenda

Oficial da Reserva do Exército, o presidente do TJPB, Joás de Brito Pereira Filho recebeu certificado de Amigo da Associação dos Oficiais da Reserva – R2 – do Exército, em evento no 15º Batalhão de Infantaria.

Zigue e Zague

O futuro ministro Onyx Lorenzoni, que coordena a transição, disse que prepara a equipe de governo e Bolsonaro para encantar o Congresso com seu respeito.

“O governo não pretende intervir nas definições do comando da Câmara, nem do Senado. Todos os governos que forçaram a mão se deram muito mal”.

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