quinta, 12 de dezembro de 2019

Roberto Cavalcanti
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Defendendo o Brasil

14 de setembro de 2019
Como vimos em artigos anteriores, não foi fácil colonizar o nosso gigante Brasil. Mais difícil ainda foi preservar sua integridade territorial. A luta era permanente contra os inimigos externos e contra os nativos, donos das terras, a quem passamos a chamar de índios em alusão a chegada de Cristóvão Colombo as Américas pensando ter chegado a Índia, e por conseguinte, os habitantes índios.

Na habilidade a ser obtida nessa convivência entre colonizador e índios, estava decidida a sorte. Muitas vezes a paz foi consequência do resultado de guerras brutais e dolorosas; outras vezes dava-se através do compadrio.

Colonos, portugueses ou não, mantinham relacionamentos com índias, daí gerando os mamelucos  brasileiros.

Dentro da cultura ameríndia, o relacionamento alicerçado nas relações familiares tinha muita força. No Nordeste brasileiro temos vários exemplos de pacificações motivadas por envolvimentos amorosos.

Minha origem e genética são resultados de um dos casos mais marcantes e emblemáticos da formação de uma família nessa terra chamada de Novo Mundo. Na verdade, uma linda história de amor brasileira.

Nossa colonização só aconteceu para valer quando Portugal fez  sua primeira experiência do que poderíamos chamar de privatização: repartiu o território descoberto em capitanias hereditárias, e como o próprio nome sugere, a propriedade e a posse foi dada a cidadãos portugueses com vínculos com a nobreza, que para aqui vieram ocupar nossas terras.

Como em qualquer outro tipo de atividade econômica, houveram sucessos e insucessos. Trago o exemplo da capitania de Pernambuco, que foi doada a Duarte Coelho Pereira (1485-1554) e que foi à época um exemplo de sucesso, sendo considerada a mais bem administrada.

Ao seu lado estava, nessa missão nada fácil, o cunhado, Jerônimo de Albuquerque (1510-1584), português residente na Vila de Olinda, que teve notável presença no desenvolvimento daquela capitania, sendo a ele atribuída capacidade nata de um grande gestor.

Em dado momento, Jerônimo foi capturado e preso pelos índios Tabajaras, surgindo daí uma incrível história. A filha do cacique Uirá Ubi (Arco verde), de nome Tabira (Muyrã Ubi), apaixonou-se por ele, resultando no casamento dos dois.

Selada a paz entre portugueses e tabajaras, o desenvolvimento da capitania foi ainda maior. Tabira, convertida e batizada, tomou o nome de Maria do Espírito Santo Arcoverde. Hoje, aqui estou eu, fruto indireto desse entendimento. Mas, onde está o Cavalcanti nessa história?

Fruto daquele casamento, nasceram vários filhos e filhas, dentre elas Catarina de Albuquerque (1538-1614), que viria a se casar com o italiano (Fiorentino), Filippo Di Giovanni Cavalcanti (1525-1614). Esse, é o meu tronco familiar Cavalcanti.

Sou, portanto, na minha origem, meio sangue italiano (Cavalcanti), ¼ tabajara (Arcoverde) e outro ¼ português (Albuquerque). Nesses 500 anos, após muitas miscigenações, restou o que sou: multirraciado.

Quero, desta forma, resgatar na história a minha encrenca familiar com os franceses, que vem desde o século XVI. Catarina teve dentre os seus irmãos um com o nome de seu pai, Jerônimo de Albuquerque (1548-1618). Foi a ele dada a missão de expulsar os franceses do Maranhão. Saindo de Pernambuco, passando pela Paraíba, Rio Grande do Norte e Piauí, arregimentou sua tropa, formada por colonos portugueses e indígenas, dado a sua extrema facilidade de comunicação, haja vista ser filho de uma índia.

No Maranhão, após duros combates com as tropas francesas do “Senhor de La Ravardière” ( general Daniel de La Touche), em novembro de 1615, os franceses foram derrotados em uma batalha cujo título foi “A jornada milagrosa”. Como diz o provérbio latino, “Audentes fortuna juvat”, ou a sorte favorece os audaciosos.

Jerônimo de Albuquerque agregou ao seu nome “Maranhão” como afirmação definitiva da conquista da nova terra. Foi nomeado Capitão-mor do Maranhão pelo rei Felipe III, de Espanha, que na época governava Portugal, em reconhecimento pelos relevantes serviços.

Está então justificada que minha defesa da soberania brasileira está no sangue de há muito, e que por ela enfrentamos os franceses há mais de 400 anos.

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