sábado, 24 de outubro de 2020


Roberto Cavalcanti
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Custo Brasil

01 de fevereiro de 2020
Na última terça-feira, tive a oportunidade e o privilégio de assistir, na sede da CNI (Confederação Nacional da Indústria), em Brasília, a uma apresentação sobre a economia brasileira proferida pelo empresário, com atuação multinacional, Jorge Gerdau, presidente do Conselho do Movimento Brasil Competitivo (MBC).

O evento teve o conselheiro emérito da CNI, empresário Armando Monteiro, como mediador. A plateia, composta pela diretoria da CNI e por membros do Fórum Nacional da Indústria. O objetivo básico e primordial do encontro foi divulgar e proporcionar o engajamento de entidades empresariais brasileiras visando a melhoria contínua da nossa competitividade.

Como novidade, temos atualmente, de forma propositiva, a abertura do Governo Federal para atacar decisivamente o Custo Brasil em parceria com o setor produtivo. Presente a Sepec - Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia (criada em 28 de novembro de 2019), nas pessoas de Rogério Caiuby e Tatiana Ribeiro.

Nós, brasileiros, temos que ter fixado permanentemente em nossas mentes que no final da linha, como consumidores, somos quem pagamos todas as contas.

Esse projeto de redução do Custo Brasil passará por etapas, tais como: conversas com experts, avaliação de diversos estudos e construção de análises originais a partir de dados públicos nacionais e internacionais.

O plano de ação tem como base elencar 12 elementos selecionados que compõem esse custo e compará-lo com dados encontrados pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em 36 países desde 1961.

O modelo em análise é composto de 12 componentes que vão desde os custos para abrir um negócio; financiar o negócio; empregar capital humano; dispor da infraestrutura; acessar insumos básicos; atuar em ambiente jurídico regulatório eficaz; integrar com cadeias produtivas globais; honrar tributos; acessar serviços públicos; reinventar o negócio; competir e ser desafiado de forma justa; e, finalmente, fechando todo o ciclo, retomar ou encerrar o negócio.

Para se ter uma avaliação do quanto não somos competitivos, foi feita uma análise da nossa complexidade tributária. Em média, na OCDE gasta-se 92% menos tempo que no Brasil para administrar seus impostos.

Foram dados testemunhos por parte de vários empresários que têm atividades em outros países que o fato é realmente avassalador. A alta complexidade tributária representa um custo adicional anual de R$ 65 bilhões, reduzindo a competitividade brasileira.

O Brasil ocupa hoje o topo no ranking em matéria de custos, atingindo a economia como um todo. Esse é o custo real enfrentado pelas empresas brasileiras.

O projeto tem como objetivo reverter esse quadro e preliminarmente nos posicionar na média dos custos encontrados nos outros países.

Foi citada uma frase do ministro da Economia, Paulo Guedes: “Aqui, o empresário brasileiro tem uma bola de ferro na perna direita, que são os juros altos, uma bola de ferro na perna esquerda, que são os impostos, e um piano nas costas, que são os encargos sociais e trabalhistas”.

Faltou dizer que estamos em uma corrida global na qual cada país busca ser mais competitivo e, para isso, tem que ter suas economias ágeis, dinâmicas e enxutas. Com a abertura dos mercados provocada pela globalização, o que tememos não é o gigantismo de países como os Estados Unidos ou a China, é, sim, as suas velocidades competitivas.

A busca da redução do Custo Brasil jamais poderá ser uma conquista unilateral ideológica. Ela atinge os brasileiros como um todo. Busca-se criar uma mobilização nacional e multissetorial e evidenciar de forma pragmática a necessidade de atacar esse nosso problema.

Sem competitividade jamais sairemos da posição de um país com potencialidades gigantescas e que não ocupa no cenário econômico mundial o espaço que merece ter.

Temos que nos unir e garantir que esse tema não saia de nossas cabeças. Vamos dar um basta na carga tributária brasileira e em todos os demais custos que fazem do Custo Brasil uma amarra ao nosso desenvolvimento.