domingo, 17 de fevereiro de 2019

Lena Guimarães
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Cruz Vermelha e as eleições

07 de fevereiro de 2019
Considerando o que está na decisão do desembargador Ricardo Vital de Almeida, a operação Calvário tem potencial para repercussões não só na área penal, como na eleitoral. Pelo que apurou até agora o MPRJ e o MPPB, recursos oriundos do que chamam de organização criminosa teriam irrigado as eleições de 2014 e 2018 na Paraíba.

A operação Calvário apura improbidade administrativa e pagamento de propina em contrato com a Cruz Vermelha para a gestão do Hospital de Trauma. Recursos teriam bancado campanhas.

Na decisão do desembargador que autorizou busca e apreensão nas casas dos secretários Waldson Souza e Livânia Farias, está registrado que a entrega de valores feita ao ex-assessor Leandro Nunes Azevedo, em agosto passado, no Rio, não foi a primeira durante período eleitoral.

Mensagens trocadas entre os membros da organização revelam que em 2014 Michelle Cardoso (funcionaria da CVB/RS) “operacionalizou duas entregas de dinheiro a agentes paraibanos”.

Está na decisão: “Revelam os fatos que a entrega de valores desviados em favor de agentes públicos paraibanos, por intermédio de Leandro Nunes Azevedo, ora ocorrido em 8 de agosto de 2018, não foi um evento isolado na atuação de Michelle Cardoso, cuja atuação, nesse sentido, foi dificultada em razão do extremo cuidado que os membros da ORCRIM tinham quando se comunicavam”.

Continua: “Não obstante isso, técnica especial de investigação incidente sobre WhatsApp não deixou dúvida de que a mesma já havia se deslocado em ocasião anterior a João Pessoa, na Paraíba, para realizar uma operação clandestina de entrega de dinheiro, a mando de Daniel Gomes da Silva (da CVB/RS)”.

Diz que a sequência de diálogos registrados entre os dias 19 e 25 de setembro de 2014, “deixa inequívoco que Michelle Cardoso se deslocou para João Pessoa/PB, em voo particular, entre 23 e 24 de setembro de 2014 (ano eleitoral), para fazer o transporte de recursos ilícitos”. E que ela revela que as missões estariam vinculadas ao financiamento de campanhas políticas.

Em outra troca de mensagens, Michelle revela “desespero” com a ocorrência de 2° turno para governador da Paraíba, pois isso “significaria a necessidade de uma nova vinda a esta Capital”. Que poucos dias antes da votação fez a entrega dos valores no Rio.

Pelo que já se sabe, impossível descartar repercussão eleitoral.

TORPEDO

"A Previdência tem uma questão que precisa ser resolvida para o futuro, viabilizando a garantia de aposentadoria para quem está trabalhando hoje. Atualmente tem um problema sério, que é o déficit."

Do governador João Azevedo (PSB), que participou de reunião dos governadores do Nordeste e defende solução que viabilize Previdência.

Corrupção

Em meio ao escândalo da Cruz Vermelha e o contrato para administrar o Trauma, o deputado Eduardo Carneiro, do PRTB e vice-líder da oposição, propõe criação de Frente Parlamentar de Combate à Corrupção.

Efeitos

Diz ele: “A população já não aguenta casos de corrupção em todos os níveis, por isso estou reforçando meu compromisso para combater esse mal que deixa tantos sem saúde, educação, sem o mínimo de dignidade”.

Cliente

Pelo que publicou o jornalista Thiago Moraes em seu site, a Cruz Vermelha foi boa cliente do escritório de advocacia Lobato, Souza e Fonseca, do atual presidente da PBPrev e do diretor jurídico da PBGás.

Cliente 2

Thiago Moraes informa que Yuri Simpson Lobato (PBPrev) é casado com uma sobrinha do ex-governador Ricardo Coutinho, e que Thiago Paes, que também atua na área eleitoral, tem defendido o PSB.

Explosivos...

O secretario Jean Francisco (Segurança), que representou a Paraíba na reunião que debateu o projeto de lei anticrime do ministro Sérgio Moro, aponta que não trata do controle de armas nem de explosivos.

... e terrorismo

Seu argumento: “Hoje se usa o explosivo não só para explodir banco, mas para praticar alguns atentados. E é este o pleito dos secretários de Segurança, para que se tipifique com mais firmeza como terrorismo”.

ZIGUE-ZAGUE

< O ex-presidente Lula foi condenado pela 2ª vez, agora no caso do sítio de Atibaia, a 12 anos e 11 meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.

> O desembargador Saulo Henriques de Sá e Benevides foi eleito presidente da 2ª Seção Especializada do TJ. Substituirá o desembargador Marcos Cavalcanti.

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