terça, 16 de julho de 2019

Lena Guimarães
Compartilhar:

CPI inviabilizada

20 de fevereiro de 2019
“Existirá alguém tão esperto que aprenda pela experiência dos outros?”, questionou o filósofo Voltaire. Se existe, não é a oposição da Paraíba, que conforme os fatos mostram, não aprende nem com os seus próprios erros: caiu numa “cilada” dos governistas em 2015 e na sua repetição, ontem.

Terminada as eleições de 2014, a oposição levou à Justiça a denúncia de que o Empreender, programa criado para financiar pequenos negócios, havia sido usado na campanha para obtenção de votos para a reeleição do governador Ricardo Coutinho (PSB). O Ministério Público Eleitoral acatou e iniciou investigação.

Em abril, o deputado Dinaldo Wanderley (PSDB) protocolizou o pedido da CPI na Assembleia. Como tinha antecipado sua intenção, os governistas registraram antes quatro outros requerimentos de CPI. Como pelo regimento só três podem funcionar ao mesmo tempo, a do Empreender foi para a gaveta. E lá continua.

Coube ao MPE investigar. Após quatro anos de recursos e mais recursos no TRE, e quatro relatores, o processo foi concluído com o pedido de cassação do mandato do governador Ricardo Coutinho por abuso de poder econômico e conduta vedada. Está no 5° relator, o desembargador José Ricardo Porto, que assumiu em novembro passado e ainda não tem data para julgamento.

As revelações da Operação Calvário, que apontam desvios de recursos no contrato do Governo do Estado com a Cruz Vermelha para gestão do Hospital de Trauma, levaram a oposição a novamente anunciar uma CPI.

Subestimaram os governistas outra vez. Sequer inovaram: foi simples repetição da estratégia usada em 2015.

Ao invés da CPI da Cruz Vermelha que apuraria ainda fraude, pagamento de propina e financiamento ilegal de campanha, a Assembleia vai investigar homofobia, feminicídio, pardais e obras inacabadas, que o TCE já está levantando.

A diferença entre 2015 e 2019 é uma só: na primeira vez a oposição conseguiu 13 assinaturas. Agora, sequer atingiu as 12 exigidas pelo Regimento da Casa. Os antigos coronéis da política diziam que “triste é o poder que não pode”. O PSB mostrou que pode.

Mais uma vez, caberá ao Ministério Público, agora o do Estado, através do Gaeco, esclarecer o caso. Resta a oposição fazer barulho.

TORPEDO

"A Paraíba precisa saber a verdade sobre as operações da Cruz Vermelha no Estado. Se não fosse tão grave, os deputados da base do governo não teriam apresentado quatro CPIs na Assembleia para impedir instalação de uma que investigaria essa organização social."

Da deputada Camila Toscano (PSDB), sobre a manobra da bancada governista que inviabiliza a CPI da Cruz Vermelha na Assembleia.

Quanto?

O TCE deu 30 dias para o Estado informar quanto pagou às organizações sociais “Ecos” e “Insaúde”, para gestão de 652 escolas em 2018. Quer a informação no portal da Transparência. Se nem a Corte de Contas sabe...

Golpe

A prisão pela Operação Fantoche, da PF, de Buega Gadelha, presidente da Federação das Indústrias da Paraíba, é mais um revés para a família Gadelha, que já foi uma das mais poderosas da política paraibana.

Poder

Os Gadelha já ocuparam cadeiras no Senado, na Câmara, na Assembleia e já comandaram a Prefeitura de Sousa, sem falar no poder econômico. No momento estão sem mandatos e com Buega exposto na operação.

Acusações

Buega foi preso temporariamente juntamente com o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade e mais oito. A PF apura crimes contra a administração pública, fraudes licitatórias e lavagem de ativos.

São João

A Operação Fantoche também prendeu Luiz Otávio Gomes Vieira da Silva, da empresa Aliança Comunicação e Cultura, que venceu licitação para captar recursos e gerir o Maior São João do Mundo, em Campina.

Troca?

Mesmo licenciado, o prefeito Romero Rodrigues falou sobre a prisão e descartou relação entre o caso e a PMCG. Disse que pretende consultar o TCE antes de decidir se mantém ou não o contrato com a Aliança.

ZIGUE-ZAGUE

< O ministro Paulo Guedes vai se reunir, hoje, com governadores e líderes partidários, para explicar a proposta de reforma da Previdência e ouvir sugestões.

> Derrota na Câmara: aprovado projeto que susta efeitos do decreto de Hamilton Mourão que ampliou lista de servidores que podem classificar documentos como sigilosos.

Relacionadas