quarta, 13 de novembro de 2019

Roberto Cavalcanti
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Cobiça

31 de agosto de 2019
Antecedendo a chegada dos portugueses ao Brasil (1500), o continente recém-descoberto já despertava grande interesse de outras nações europeias, especialmente a França, que liderou essa cobiça.

Se insurgia de forma pioneira contra o tratado de Tordesilhas (1494), que partilhou as terras que ainda seriam oficialmente descobertas, apenas entre Portugal e Espanha. Desde então, o litoral brasileiro foi constantemente saqueado pelos franceses em busca da extração do pau-brasil (Caesalpinia echinata) entre outras das nossas riquezas.

São mais de 525 anos com nosso território sendo foco do expansionismo daquela nação. Sua técnica comercial é prioritariamente o escambo, iniciado com a troca de espelhinhos e adereços franceses pelo nosso ouro, indo até hoje com a troca da implantação de ONGs pelo nosso nióbio.

Como somos desmemoriados! É fácil resgatar e comprovar historicamente essa obsessão francesa por nossas riquezas. Projetos de invasão de nossas terras foram muitos. Destaco os mais marcantes e que, graças ao nosso sentimento patriótico Portugal/Brasil, rechaçamos em diversas oportunidades.

Já em 1531, na vizinha ilha de Santo Aleixo, se passou a primeira invasão francesa no Brasil. A ocupação durou de março a dezembro daquele ano, quando foram expulsos por uma força militar portuguesa, deixando para trás apenas o nome da ilha até os dias de hoje: Íle Saint-Alexis.

Aprimorando seus objetivos invasores, os franceses evoluíram nessas tentativas para projetos de colonização durante todo o século XVI. Nunca foi fácil defender nosso imenso território de nações estrangeiras.

Em 1555, franceses calvinistas invadiram o Brasil na região do Rio de Janeiro, capitaneados pelo almirante Nicolau Villegaignon. Fundaram uma colônia francesa denominada “França Antártica”.

Graças à reação do governo-geral de Mem de Sá, com o apoio dos jesuítas José de Anchieta e Manoel da Nóbrega, os militares portugueses, liderados por seu sobrinho Estácio de Sá, conseguiram expulsar os franceses em 1567. Nesse período, tivemos a fundação da cidade do Rio de Janeiro, em 1° de março de 1565.

A cobiça francesa nunca cessou. Novamente em 1612 fizeram nova tentativa de invadir o Brasil e fundar uma colônia, dessa vez nominada de projeto “França Equinocial”.

Contrariando qualquer lógica de respeito à nossa soberania, os franceses nunca desistiram do Brasil. A região escolhida já era a da pré-amazônia, tendo o Maranhão como meta. Tropas lideradas pelo general Daniel de La Touche invadiram o nosso País e fundaram sua nova colônia, defendida pela construção de uma fortaleza denominada de Forte de São Luiz.

Mais uma vez deixaram suas marcas em nosso continente. Após vários ataques das forças portuguesas, finalmente em 1615 foram expulsos do Maranhão.

A Paraíba e o Rio Grande do Norte estão em todos os registros que marcam a passagem predatória dos franceses. Ao narrar como era a vida na colônia, o português Gabriel Soares de Sousa escreve: “De acordo com frei Vicente do Salvador, no Rio Grande [do Norte], os franceses iam comercializar com os potiguares, e dali saiam também para roubar os navios  que iam e vinham de Portugal, tomando-lhes não só as fazendas, mas as pessoas, e vendendo-as aos gentios para que as comessem”.

Anos após, voltam os franceses com nova tática. Passam a agir com o saque às cidades do nosso litoral, através de corsários [piratas] durante todo o século XVIII. Nossas madeiras e outras riquezas naturais eram o objetivo.

Dentro desse projeto francês, tivemos duas novas invasões ao nosso País. No século XVIII, em agosto de 1710, Jean François Duclerc, no comando de seis navios e com 1.200 homens, adentra a Baía de Guanabara ostentando traiçoeiramente em seus navios os pavilhões ingleses, nação amiga.

Previamente alertados, os brasileiros repeliram esse ataque. Os franceses rumaram então para a baía da Ilha Grande, onde desembarcaram. Foram novamente derrotados em terra pelos habitantes, com a colaboração dos estudantes do Colégio dos Jesuítas.

Em 1711, sob o comando de Duguay-Trovin, obtiveram sucesso. Saquearam o Rio de Janeiro [novembro], tendo a população pago valioso resgate: 610 mil cruzados em moedas, 100 caixas de açúcar e 200 cabeças de gado bovino.

Assim são historicamente os franceses no desrespeito a nossa soberania. Hoje, a história se repete na questão amazônica.

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