segunda, 20 de maio de 2019

Lena Guimarães
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Camila, João e o Caixa 2

13 de março de 2019
A história do divorcio do imperador romano César e sua segunda esposa Pompeia, deu origem ao famoso provérbio “à mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”, que inspirou a deputada Camila Toscano (PSDB) ao cobrar a demissão dos secretários de Estado investigados na Operação Calvário, e ao questionar legitimidade do mandato do governador João Azevedo (PSB).

“Na vida pública não é suficiente apenas ser honesto, é preciso parecer honesto. E não está parecendo nenhum tipo de honestidade a condução desse governo com esse processo”, disparou Camila da tribuna da Assembleia, enquanto parlamentares governistas faziam “ouvidos de mercador”.

A deputada se referia as investigações do GAECO/MPPB sobre a Cruz Vermelha, acusada de desviar recursos da Saúde, pagar propina e até financiar campanhas.

Pelo que se apurou na Paraíba, a Cruz Vermelha não tinha experiência e não poderia sequer ser considerada organização social quando ganhou, sem licitação, a gestão do Hospital de Trauma.

Preso na Operação Calvário II, Leandro Nunes Azevedo confirmou que recebeu dinheiro, mas disse que parte era para outros agentes públicos. Que pagou contas da campanha de João Azevedo com os recursos ilícitos e até deu os nomes e valores transferidos para cada fornecedor contemplado na campanha de 2018.

Camila apresentou sua visão dos fatos: “Não se pode permitir que um governador permaneça no poder tendo vencido as eleições usando Caixa 2, a partir de dinheiro público desviado da nossa saúde, do hospital de Trauma”.

Também insistiu no afastamento dos secretários citados. “Estamos falando de secretários de Estado, do procurador-geral do Estado, pessoas com alto poder de decisão e que estão determinando para onde vai o nosso dinheiro. Aí, eu pergunto, adianta mudar a organização social se você permanece com as mesmas pessoas na gestão? Será que não se formará uma nova organização criminosa com esses mesmos secretários?”

A pressão sobre o governo não tem sido pequena e pode aumentar com o julgamento, hoje, da gestão da Cruz Vermelha no Trauma, pelo TCE. Quem viu o relatório da Auditoria da Corte diz que é demolidor.

 

TORPEDO

"Ele foi transferido cinco vezes em poucos meses, sem qualquer tipo de justificativa, e antes de tirar sua vida, ele gravou um vídeo de três minutos, que descreve, com riqueza de detalhes o raio-X do que acontece no sistema de Segurança da Paraíba." (Do deputado Walber Virgolino, para quem o suicídio do policial João Roberto reflete clima de perseguições na Segurança).

Na berlinda. A inspeção realizada pelo TCE no Trauma sob gestão da Cruz Vermelha, várias vezes citada na Operação Calvário, será tornada pública, hoje. O conselheiro Nominando Diniz levará contas ao Pleno, para julgamento.

Comparação. Pedro Cunha Lima lamentou que falte dinheiro da Saúde para a APAE, mas não para propina. Que a “de R$ 900 mil, entregue na caixa de vinho, é mais do que a APAE em João Pessoa recebe por ano do Poder Público”.

Aposentado. Aos 57 anos, o ex-governador Ricardo Coutinho aposentou-se pela UFPB, onde ocupou cargo de Farmacêutico antes de ingressar, com sucesso, na política e conquistar oito mandatos consecutivos.

Exemplo. A Câmara de João Pessoa aprovou voto de solidariedade a advogada Miriam Gadelha, que processa o prefeito Fábio Tyrone por agressão e foi proibida de falar na sessão do Dia da Mulher na Câmara de Sousa.

Exemplo 2. Lucas de Brito (PV), autor da proposta, disse que enquanto o parlamento de Sousa cassou a palavra de uma mulher em dia tão significativo, o da Capital “repudia a violência contra a mulher sob todas as suas formas”.

In loco. O presidente Márcio Murilo e o desembargador Marcelo Dalla Déa, representante do CNJ, conferiram in loco o andamento da implantação do Sistema Eletrônico de Execução Unificado (SEEU), no âmbito do TJPB.

ZIGUE-ZAGUE

<“Ciro Gomes é um coronel oportunista, ressentido e covarde”. Foi assim que Gleisi Hoffmann reagiu ao ser chamada de “chefe da quadrilha de Lula” pelo cearense.

>Disse mais: “Quando a conjuntura exigia sua presença, fugiu para Paris. Está à espreita de crise para se apresentar como salvador da burguesia e sistema financeiro”.

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