segunda, 14 de outubro de 2019

Sony Lacerda
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Calvário na Assembleia

10 de outubro de 2019
A 5ª fase da Operação Calvário dominou os debates de ontem na Assembleia Legislativa da Paraíba. Os deputados de oposição ao Governo do Estado se revezaram na tribuna para destacar a prisão do secretário executivo de Turismo da Paraíba, Ivan Burity. Os oposicionistas cobram uma posição do governador João Azevêdo, no sentido de fazer mudanças com exonerações, em relação a secretários e auxiliares, supostamente envolvidos no processo de desvio de recursos da saúde e, agora, educação.

A cada fase da Calvário, parece que eles têm razão no que cobram. Ontem, o deputado Walber Virgolino chegou a dizer que existe “uma verdadeira quadrilha” instalada na atual gestão. Para ele, a gestão do PSB na Paraíba está insustentável. “No embalo que vai, atingirá todas as secretarias do Governo do Estado”, disparou na tribuna da Casa.

O deputado Jeová Campos pegou pesado e, da tribuna, disse que Walber Virgolino cuspe no prato que comeu, se referindo ao período que o colega foi secretário na gestão do então governador Ricardo Coutinho. O clima quis esquentar, mas os parlamentares mantiveram a civilidade e seguiram com os embates.

O líder da oposição, Raniery Paulino, chegou a pedir que João Azevêdo “desmalufe” o governo, fazendo uma ligação com a frase de “roubei, mas fiz”. Já a deputada Camila Toscano, aproveitou para pedir ao governador que faça uma “limpeza” na administração que está a cada dia mais afundada em escândalos de corrupção.

Os deputados governistas se encabularam e além de Jeová, só Buba Germano fez a defesa da gestão, mas sem muito peso. Cida Ramos preferiu dizer apenas que a Justiça está fazendo o seu papel. Mas, nessa realidade, não tem muito o que defender diante das investigações e das prisões executadas pelo Gaeco e Polícia Federal.

Calvário... e a bica

Operação Calvário nas ruas. Secretário preso, busca e apreensão na casa de outro. O deputado Raniery Paulino, que é líder da bancada de Oposição na Assembleia Legislativa, entra no grupo de WhatsApp e pergunta: qual é a pauta de hoje. Os parlamentares respondem, quase à unamidade: “Calvário...”. Eu disse quase porque o deputado Moaci Rodrigues, alheio talvez, respondeu: “vou falar da Bica”. Marminhagente, como pode...

Necessidades...

A Assembleia e suas pérolas. O líder do Governo, Ricardo Barbosa, fez coro ao presidente Adriano Galdino e começou a pedir que os deputados voltassem ao plenário para contagem - nesse momento 23 haviam registrado ponto - e seguir com a Ordem do Dia. Em determinado momento, Barbosa ironizou dizendo que Cabo Gilberto “estaria escondido”.

...fisiológicas

Não deu outra. cabo Gilberto não só “apareceu” em plenário, como pegou o microfone e disparou: “quero dizer ao deputado Ricardo Barbosa que eu sou um ser humano e também faço minhas necessidades fisiológicas”. E repetiu mais uma vez. A deputada Camila Toscano, que estava sentada, parecia não acreditar. Deve ter fico passada.

‘Pastinha’

O deputado Raniery Paulino chegou ao plenário com uma pasta preta, diga-se de passagem bastante volumosa. “Essa ‘pastinha’ tem todas as denúncias trazidas pela Operação Calvário, com documentos, prisão, mandados de busca e apreensão. Raniery, desde a contração da OS Cruz Vermelha e que ele foi contra, já atentava para propensos desvios de finalidade. O discurso parece estar cada vez mais avalizado pelo Gaeco e Ministério Público.

Contratações

O prefeito de Cacimbas, Geraldo Terto da Silva, foi condenado por prática de improbidade administrativa, em virtude da contratação de servidores sem concurso público. A sentença é do juiz Rúsio Lima de Melo, que aplicou as seguintes penalidades: suspensão dos direitos políticos pelo prazo de três anos e multa civil equivalente a 10 vezes o valor da última remuneração percebida no cargo de prefeito.

Sem repasse

O ex-prefeito de Lucena Antônio Mendonça foi condenado por ato de improbidade administrativa em virtude de inadimplência em relação a um Convênio celebrado junto ao Ministério do Desenvolvimento Social e a Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Consta em parecer técnico que os objetivos do convênio não foram atingidos. A sentença foi proferida pelo juiz Sivanildo Torres.

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