domingo, 19 de maio de 2019

Lena Guimarães
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Calvário avança

07 de março de 2019
No dia 26 de fevereiro, o ministro Nefi Cordeiro (STJ) negou habeas corpus a Leandro Nunes de Azevedo, o ex-assessor da Secretaria de Administração da Paraíba preso na Operação Calvário, que investiga desvios de dinheiro da Saúde, pagamento de propina a agentes públicos e até Caixa 2 para campanha eleitoral.

Uma semana depois, o desembargador Ricardo Vital (TJPB), transformou sua prisão preventiva em medidas cautelares, e Leandro deixou o Presídio PB1. Foi para casa com tornozeleira.

O que mudou entre uma decisão e outra? Leandro falou. E muito. Seriam 16 horas “líquidas” de oitiva. E segundo fonte da área, fez por merecer um bom acordo.

O que ele revelou é mantido em sigilo. Nem um detalhe foi vazado, só a garantia de que tudo será investigado.

Como integrou o governo desde 2011 e era pessoa de confiança dos gestores estaduais, tanto que ficou responsável pelos polêmicos contratos de terceirização da Saúde, Leandro é visto como pessoa com poder para tirar o sono dos responsáveis pela vinda da Cruz Vermelha e outras organizações sociais para a Paraíba.

Leandro foi filmado em hotel de luxo, no Rio de Janeiro, ao receber de Michelle Cardoso, da Cruz Vermelha que administra o Hospital de Trauma de João Pessoa, uma caixa que teria dinheiro – propina. Ela chegou a contratar segurança para o percurso que faria até o local do encontro.

De acordo com a investigação, a funcionária da Cruz Vermelha já tinha vindo a João Pessoa em voo fretado, em 2014, transportando “recursos ilícitos”, e que em sua comunicação com outros da “organização criminosa” ela admitia que a missão estaria vinculada a financiamento de campanha.

Ao pedir a prisão de Leandro e buscas e apreensões nas casas dos secretários Waldson Souza (ex-Saúde e atual Planejamento) e Livânia Farias (Administração), o MPPB informou que quando foi contratada, a Cruz Vermelha não tinha experiência em gestão hospitalar e não preenchia os requisitos exigidos para ser reconhecida como “organização social”, mas sequer participou de licitação.

Não é sem razão a expectativa em torno do que falou o ex-assessor.

TORPEDO

"Fundir os três órgãos responsáveis pela agricultura e pecuária da Paraíba traz problemas para quem atua na área e também para o povo paraibano. Se não há investimento e qualidade nesse setor que é prioridade, a população é afetada."

Do deputado Tovar Correia Lima, ao convidar para audiência pública que discutirá fusão da Emepa, Emater e Interpa, proposta por João Azevedo.

Dia 13

A Cruz Vermelha não está sob a lupa apenas do Gaeco do MPPB ou do TJPB. Na próxima quarta-feira o contrato de gestão do Trauma estará sob análise do Pleno do TCE. O relator é o conselheiro Nominando Diniz.

Corrida contra...

O presidente do TJPB, desembargador Márcio Murilo da Cunha Ramos, vai participar da Corrida Contra a Corrupção, dia 30, com largada às 17h, no Busto de Tamandaré, em Tambaú. A simbologia é poderosa.

... a corrupção

Com o desembargador Saulo Benevides, Márcio Murilo recebeu a diretora da Associação dos Delegados da Polícia Federal, Carolina Patriota, e a vice-diretora Luciana Paiva, responsáveis pelo evento.

Tributo

Será no dia 12, às 10h, a sessão especial da Câmara de Campina em homenagem as mulheres. A presidente Ivonete Ludgério confirma ainda o lançamento da Frente Parlamentar de Defesa dos Direitos da Mulher.

Plantar...

A CNBB sempre escolhe muito bem os temas para a campanha da fraternidade. A de 2019 é “Fraternidade e Políticas Públicas”, que pretende estimular participação dos cidadãos em debates e decisões.

... e colher

Raquel Dodge (PRG) deu um exemplo: zelar para que não haja corrupção “é uma forma de zelar para que a arrecadação de impostos não seja tão elevada”, e que o dinheiro não seja desviado para enriquecer corruptos.

ZIGUE-ZAGUE

< Durante o dia de ontem foi Jair Bolsonaro que protagonizou o debate nas redes sociais, por post no Twitter no qual anexou vídeo obsceno e foi muito criticado.

> No final da tarde, Gilmar Mendes (STF) subiu no pódio. A força-tarefa da Lava Jato expôs troca de mensagens com Aloysio Nunes intercedendo a favor de Paulo Preto.

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