domingo, 15 de setembro de 2019

Lena Guimarães
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Calúnia e chantagem

28 de junho de 2019
A capa era a imagem de um varal com notas de dólares presas por pegadores, junto com fotos de políticos emergentes, a exemplo de Wilma Maia e Cássio Cunha Lima, os governadores eleitos do Rio Grande do Norte e da Paraíba, e o deputado Inocêncio Oliveira, de Pernambuco.

O título anunciava matéria exclusiva: “Lavanderia Nordeste - Ex-funcionário de casa de câmbio revela, na Procuradoria da República, como políticos e empresários mandam dinheiro sujo para fora do Brasil.”

A revista ‘Isto É, edição 1730, de 27 de novembro de 2002, repercutiu em todo o Brasil, afinal, era escândalo que envolvia denúncia de lavagem de dinheiro ilícito, feita por quem teria ajudado os esquemas, e que contou ao Ministério Público com detalhes como operava.

Dois anos depois, a revista publicou outra matéria, “Usina de Dossiês”, revelando que o denunciante nada mais era que um chantagista. Demorou 17 anos, mas a Justiça também condenou Alexandre Magero de Araújo por extorsão e calúnia.

Na época com 39 anos, conhecido nacionalmente por ter atuado fortemente na Constituinte e dirigido a Sudene, Cássio teve que enfrentar os dissabores da denúncia, principalmente o desgaste na imagem.

Aqui na Paraíba seus adversários não perderam a oportunidade de explorar o caso. Questionavam onde estaria o dinheiro que teria desviado. Cássio sempre sustentou sua inocência, mas só quando Magero admitiu que estava fazendo chantagem, livrou-se do estigma.

O depoimento de Magero foi seguido de abertura de inquérito pela PF. A investigação confirmou que inventou as histórias com o propósito de chantagear políticos. Tentou receber dinheiro de Cássio por três vezes: a primeira para não divulgar dossiê. Depois, para desmentir o que disse no primeiro depoimento à Procuradoria da República, sobre lavagem de dinheiro. Por último, para evitar divulgação sobre suposta pedofilia.

De alma lavada, Cássio disse que foi “mais uma mentira, entre tantas outras”, que caiu por terra. “O dano ninguém repara. Foi muito duro à época. Servirá para mostrar a Vinicius (o filho caçula), e a Lucas e Letícia, meus netos, filhos de Marcela, que estarão chegando no final do ano.” Essa é outra boa notícia: “Sim! Serei avô de gêmeos”.

O episódio mostra o outro lado, nada glamoroso, da política. E foi numa época na qual não existiam redes sociais. Na atualidade, teria que investir muito para derrotar a indústria de fake news.

TORPEDO

"Nós vamos marcar na hora que a gente achar interessante, que tiver uma pauta bem definida. Nós não temos nenhuma dificuldade nesse sentido. Mas hoje, atualmente, não há nenhuma pauta definida." Do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV) negando que tenha pedido audiência ao governador João Azevedo (PSB).

Boa iniciativa. O governador João Azevedo lança, hoje, o aplicativo ‘Preço da hora’, pelo qual os órgãos do governo e também os consumidores paraibanos poderão consultar o menor preço de inúmeros produtos.

Mudança. O Pleno do TRE da Paraíba terá um novo julgador. O juiz federal Rogério Roberto de Gonçalves de Abreu, da 7ª Vara Federal, vai ocupar a vaga aberta com o fim do período do juiz Sérgio Murilo Queiroga.

Mudança 2. O magistrado tem que se preparar para muito trabalho. O TRE está em 5° lugar no ranking do CNJ de acúmulo de processos eleitorais. Com 84 magistrados, tem mais de 6.300 ações esperando julgamento.

Prevenção. Em inauguração de Centro de Referência para Pessoas com Deficiência em Microcefalia, o vereador Lucas de Brito defendeu ações para o combate do mosquito Aedes aegypti, transmissor do Zica vírus.

Prevenção 2. “Temos que evitar o surto de casos como os que ocorreram entre 2015 e 2016, e que são responsáveis por uma geração de crianças com microcefalia”, disse, advertindo que as chuvas aumentam riscos.

Fórum. O corregedor-geral de Justiça do TJPB, Romero Marcelo participa do I Fórum Nacional das Corregedorias, em Brasília. Ouviu Dias Toffoli falar sobre ‘O CNJ e os desafios do Poder Judiciário no século XXI’.

ZIGUE-ZAGUE

O atual e o ex-superintendente do DNIT foram presos pela Polícia Federal. Odnaldo Oliveira e Fábio Vilarinho são acusados de cobrar propina a empreiteiras.

Estariam exigindo entre 3% e 5% do valor das obras por adiantamentos, e 1% para atestar regularidade das mesmas. PF também apreendeu seis carros de luxo.

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