terça, 22 de outubro de 2019

Roberto Cavalcanti
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Brasil positivo

16 de junho de 2019
Há mais de um século, a economia mundial tem na indústria automotiva um dos seus mais importantes pilares. As potências mundiais têm, através desse segmento, um dos indicadores mais sólidos de aferição da pujança de suas economias, em razão de ser a mesma forte ativadora de empregos e geradora de impostos.

Seu poder de alavancar a economia está fundamentado na capacidade que tem de agregar milhares de empresas dentro de toda a cadeia automotiva, através de fornecedores diversos.

Como empresário, não poderia, e não posso - descarto o condicional -, deixar de ficar muito atento a toda e qualquer notícia a seu respeito. Foi por isso que li, reli, e guardei matéria publicada no “Valor Econômico”, de 7 de dezembro de 2018, momentos antes do início de um novo governo no Brasil.

Nada melhor que aferir o que pensava Pablo Di Si, o presidente da Volkswagen na América Latina, uma das gigantes mundiais do setor. Calculava ele que o segmento teria em 2019 uma expansão de 8% a 10% no mercado brasileiro, o que significava crescimento em torno de 35% em relação a 2016, quando o setor atingiu o fundo do poço.

Surpreso e feliz, busquei, à época, conferir o que estava sendo prenunciado, obtendo do então presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale, resposta semelhante: “Se o novo governo conseguir implementar as reformas rapidamente, haverá ainda mais otimismo no mercado em 2019”.

Ressaltava Megale: “O Brasil está preparado, e o que mais escuto hoje, de investidores estrangeiros, é que estão de olho no País”.

Disse mais: “Se o governo eleito fizer o que tem sido anunciado em termos de diminuição do tamanho do Estado e simplificação tributária, a atividade industrial tende a se fortalecer e ampliar o nível de emprego”.

Virei o ano cheio de esperança e otimismo. Passados esses primeiros cinco meses, permaneci com os olhos atentos aos números do mercado, e os ouvidos, todos os dias, a escutar o que é possível destacar para que não acreditemos em nosso País.

Vamos aos números que atestam a verdade. De janeiro a maio de 2019 (cinco meses), a venda de automóveis e comerciais leves resultou em 1.035.605 veículos emplacados, contra 932.119 nos primeiros meses de 2018. Isso representa 11,10% de crescimento. Exatamente dentro do previsto em dezembro pelo Presidente da VW. O Brasil confirma sua potencialidade em plena crise econômica.

Para que o leitor tenha uma noção de como são importantes as gestões até dos governos estaduais na geração de resultados econômicos, o setor teve, no Nordeste, crescimento de apenas 5,14%.

Nossa Paraíba foi destaque positivo ao apresentar números acima da média regional, com crescimento de 6,65% (11.706 veículos em 2018 contra 12.485 em 2019).

Comparo nossos resultados com os do vizinho Rio Grande do Norte, que, por razões óbvias, foi negativo, -2,37% ( 10.023 veículos em 2018 contra 9.785 em 2019).

Já imaginaram como nossa economia estaria pujante se tivéssemos tido a celeridade necessária para aprovarmos as reformas?

Finalizo com Besaliel Botelho, presidente regional da maior produtora de autopeças do mundo, a Bosch, apontando crescimento de 12% na receita da América Latina em 2018, dos quais 80% correspondem à contribuição do mercado brasileiro. Hoje, sua preocupação está focada apenas na demora da aprovação das reformas, o que eleva o clima de incertezas.

Suas palavras: “O País precisa se mexer no que diz respeito ao ajuste fiscal, mas não há tempo de esperar pelas reformas da Previdência e a Tributária. A indústria não tem fôlego para esperar tudo isso acontecer”. Concordo plenamente.

Ao escrever esse texto, recebo mensagem do dileto amigo Paulo Afonso (CNI-FIEG), que reproduzo: “Precisamos ver, ouvir e valorizar aquilo que é positivo. Estamos alinhados nesse propósito de mantermos o otimismo, a persistência nos valores e na dedicação ao trabalho, para que o Brasil dê certo”.

É chegada a hora de admitirmos que não há espaço para o “eu ou ele”. Nossa hora é do “eu e o Brasil”.

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