quarta, 26 de junho de 2019

Roberto Cavalcanti
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Brasil difícil

13 de junho de 2019
Passada a refrega de um processo eleitoral, caí na real da vida empresarial. No Brasil onde muitos partem do pressuposto do “quanto pior, melhor”, não é nada fácil manter-se empresário.

Da mesma forma que um ser humano é sensível às tensões que influenciam sua saúde, esse clima de confronto permanente afeta duramente os negócios. A teoria é incompatível com a estabilidade necessária para que nós, empresários, possamos manter nossas empresas rentáveis.

Recebi, segunda-feira passada, mensagem do meu genro Thiago, que estava na França, com o seguinte teor: “Como está a repercussão das notícias das últimas horas em relação à Lava Jato? Corre o risco de ser anulada mesmo? Recebi algumas mensagens nesse sentido...”.

Respondi de pronto: “Estou por fora propositadamente, caso contrário, não trabalho nas empresas”. Percebendo que eu não gostaria de me alongar sobre o tema, ele fechou o diálogo com um inteligente e eficiente “ok”.

Minha postura daqui pra frente não vai ser diferente. Cansei de um Brasil cada dia mais difícil. É inimaginável a conspiração diária, minuto a minuto, para que nosso país permaneça no desassossego.

Já deletei, na minha programação de TV, uma emissora que, tendo seus interesses financeiros contrariados, não para de tramar contra. Não tem ao menos a competência para avaliar que seu peso político tende a ser zero, e que não tem mais força para fazer ou derrubar presidentes.

Tenho, instintivamente, o reflexo de, ao entrar no meu automóvel, conectar o rádio. Para manter-me atualizado nas informações, trocava burramente uma boa música por noticiários. Para ouvir o contraponto, sintonizava uma rede de rádios descartada pelo Sistema Correio anos atrás, o que muito me envaidece, pois, atualmente, até isso deixou de oferecer. Para o lixo o que é lixo.

Estou farto de assistir o descompromisso com a pátria. Sanguessugas de empregos pagos por quem produz; frustrados que buscam de todas as formas impedir as reformas absolutamente necessárias para o reequilíbrio financeiro das contas públicas.

Não aceito um país que assiste passivamente a uma trama para evitar que possamos viver uma nova ordem. Não concordo com os que desejam continuar permitindo apropriação de recursos públicos de forma abusiva e corrupta. Não aceito o inaceitável.

O Brasil necessita de urgentes reformas em seu modelo econômico. As atividades empresariais que proporcionam o pagamento de impostos e a geração de empregos não podem sofrer em razão de regras que as inviabilizam.

Um empresário brasileiro do setor têxtil, por exemplo, não pode importar o mais sofisticado equipamento vendido ao mundo, o suíço, porque no nosso País existe uma famigerada NR-12, com exigências impossíveis.

As empresas não podem ser obrigadas a ter uma máquina administrativa-financeira incompatível com suas dimensões.

Plagiando Millôr Fernandes, “o Brasil é o único país em que os ratos conseguem botar a culpa no queijo”. Estou cansado e saturado de um país que idolatra o banditismo, incluindo os seus melhores atletas, parte deles primária em raciocínio e formação.

Basta de um País que não avança porque, para uns, não pode dar certo. Temos que nos unir e, com o máximo de nossas forças, repudiar os que tramam contra o Brasil.

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