terça, 20 de outubro de 2020


Edinho Magalhães
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Análise da Notícia: os bastidores das reformas de Guedes e Maia

12 de agosto de 2020
A fala do ministro Paulo Guedes nesta terça,11, à tardinha, anunciando "debandada" da equipe econômica, não teve nada de ‘por acaso’, pelo contrário. Foi bem ensaiada.

Tanto que, logo depois, o próprio secretário nacional de privatizações do Governo, Salim Mattar, anunciava as razões de sua saída do cargo no horário nobre do telejornal da CNN. Tudo bem orquestrado.

O que está acontecendo? O Governo está enfrentando o próprio Governo.

Explica-se: o atual organograma político divide o Planalto em dois grupos: os desenvolvimentistas, que defendem investimentos públicos para fazer a roda da economia girar; e, os economistas, que acreditam prioritariamente na diminuição dos gastos e do tamanho da máquina pública, com reformas estruturantes.

No primeiro grupo estão os generais mais alinhados com o presidente Bolsonaro e ministros como Tarcísio Dias (Infra estrutura) e Rogério Marinho (Integração Nacional). No segundo grupo está justamente a equipe do ministro Paulo Guedes e ele próprio.

Essa divisão é refletida também dentro do Congresso Nacional, com Davi Alcolumbre mais alinhado ao grupo do Planalto e, por sua vez, o presidente da Câmara comungando da cartilha da equipe econômica que - sempre bom lembrar - é a mesma do mercado financeiro.

O problema é o tempo. Os prazos são inimigos de quem defende mudanças e reformas. A burocracia estatal é bem diferente do ‘time’ da iniciativa privada, onde tempo é dinheiro. E quando se fala em dinheiro, muitos são os interesses cruzados dentro de setor público.

Assim, o ensaio do dia de hoje: o ministro Paulo Guedes viu que era preciso fazer pressão externa, expondo problemas internos, na mídia nacional. De forma orquestrada, ele enfatiza a perda da equipe colocando a culpa no atraso da reforma administrativa e do programa de privatizações.

E faz isso em entrevista coletiva ao lado de Rodrigo Maia, às cinco da tarde para ter a cobertura de todos os telejornais, ocupando a pauta do horário nobre...

Guedes e Maia querem as reformas. Querem diminuir o tamanho do Estado, dos gastos públicos e também de toda a máquina administrativa. Resta saber se terão apoio do Planalto, compreensão da imprensa, entendimento da sociedade e tempo pra avançar no Congresso.

Porque só com a vontade do mercado – que pode muito, mas não pode tudo – não vai.

Ainda mais em um ano tão complicado, em meio à uma pandemia, e com eleições à vista. Tá mais fácil mudar 2020.