sábado, 20 de abril de 2019

Renato Félix
Compartilhar:

Adeus, Penny Marshall

19 de dezembro de 2018
Alguns diretores e atores têm uma grande fase: concentram grandes filmes em um período específico de suas carreiras que, por uma razão ou por outra, não conseguem manter depois nem apresentaram antes. Isso não é ruim: tanta gente não consegue fazer um grande filme, quanto mais ter uma grande fase. Penny Marshall, que morreu ontem nos Estados Unidos, teve essa grande fase.

Esse período brilhante de sua carreira como diretora compreendeu três filmes entre 1988 e 1992: são Quero Ser Grande (1988), Tempo de Despertar (1990) e Uma Equipe Muito Especial (1992).

São duas comédias e um drama, todos trabalhos de sensibilidade e excelente narração, que conseguem fugir ao meramente trivial dessas tramas: um garoto que magicamente vira adulto, a relação entre um médico e um paciente de uma instituição para pessoas com problemas mentais e a trajetória de uma equipe feminina de beisebol nos anos 1940.

A nova-iorquina Penny vinha de uma carreira como atriz, sobretudo na TV, em séries como Um Estranho Casal (1972-1974) e, principalmente, Laverne & Shirley (1976-1983), pela qual foi indicada três vezes ao Globo de Ouro.

Ela foi casada com Rob Reiner de 1971 a 1980, ele também um mestre em dosar comédia e drama (dirigiu, entre outros, Harry e Sally, em 1989). Quero Ser Grande é exemplar dessas capacidades narrativas. O personagem de Tom Hanks vive diversas trapalhadas de um garoto no corpo de um adulto, mas o final é tocante.Não é à toa que Hanks recebeu ali sua primeira indicação ao Oscar. O filme foi um sucesso: o primeiro dirigido por uma mulher a passar dos 100 milhões na bilheteria americana.

E Penny Marshall também foi a primeira a conseguir isso duas vezes, com Uma Equipe Muito Especial. Ela não dirigia desde 2001, uma pena.

Relacionadas