domingo, 19 de maio de 2019

Roberto Cavalcanti
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Acredito no Brasil

11 de novembro de 2018
Manter o otimismo é talvez uma das minhas maiores características. Sou proativo sempre. É uma qualidade que trago dentro de mim desde criança. Ao longo de sete décadas, passei por vários Brasis, incontáveis planos econômicos, várias moedas, diversos governos, enfim, só acho similar em um eletrocardiograma.

Sempre que analiso economicamente o nosso Brasil, comparo-o à inconstância de um gráfico cardíaco. Na análise macroeconômica, vejo sempre os dois lados da moeda: o que nós achamos que somos, e o que os outros acham que nós somos.

Quando examino, sempre me afasto dos aspectos ideológicos. Não que não sejam superimportantes, mas como estamos no entorno de um processo eleitoral, tudo se radicaliza.

Para não incorrer em falso otimismo pós-eleitoral - e não nego que votei e torci muito por um projeto de mudança que se tornou vitorioso -, vou me ater a informações de um mês antes das eleições presidenciais.

Como empresário há mais de 50 anos, sempre tive referências. Vou citar apenas uma de cada lado.

Muitos não vão entender, porém posso afirmar que sou da geração “Repórter Esso”. Desde menino, recebia as notícias extraordinárias dadas através das ondas do rádio. À época, essa empresa já marcava sua presença no Brasil, patrocinando o noticiário. Paralisava o País com sua chamada, que sempre antecedia fato impactante.

A Esso, marca da ExxonMobil Corporation, empresa norte-americana de petróleo e gás que iniciou como Standard Oil Company, está em nosso país desde 1912. Ficou muito conhecida por produzir o querosene ‘Jacaré’, que abastecia as propriedades rurais sem eletricidade.

Estava aqui antes dos meus pais nascerem, há exatos 106 anos. Ausentou-se em 2009, mas voltou e está atuando no mercado de exploração e produção. Só no ano passado adquiriu mais 23 áreas em leilões da ANP. Será que conhece um pouco do Brasil?

Que nível de avaliação de um país eles têm, sendo uma das maiores companhias privadas do mundo, com produção de 3,9 milhões de barris de petróleo/dia, e que obteve no ano passado US$ 19,7 bilhões de lucro?

Não posso relevar um detalhe: aqui, tem como presidente Carla Lacerda, uma brasileira.

Uma empresa, com essas características, se não acreditasse no Brasil, pagaria R$ 6,7 bilhões de bônus ao governo através de leilão da ANP?

Quero falar agora sobre um grupo nacional, que, com sua visão de mundo, se transformou em uma multinacional brasileira. Cito matéria publicada no “The Wall Street Journal” informando que a nossa Natura sondou, recentemente, a gigante mundial Avon para possível aquisição.

Para mim, a Avon é referência muito especial: fui por muitos anos vizinho da fábrica de São Paulo, onde é um marco pela localização e gigantismo.

É modelo, inclusive, por seu sistema próprio de venda porta a porta. Ser vendedora de produtos Avon já foi um marco em nosso país. Muitas donas de casa garantiam renda sendo representantes da marca. Imaginem o gigantismo no mundo.

A Natura cresceu adotando o mesmo sistema e tem nos últimos anos se movimentado na direção do varejo físico.

Só acreditando em si próprio você ousa conquistar o mundo. A Natura não está deixando o Brasil, mas ampliando suas operações a partir do Brasil.

Essas empresas são, na verdade, as provas de que o mundo (Esso) e nós (Natura) acreditamos no Brasil. Não são casos únicos, são apenas símbolos de um País no qual eu acredito.

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