quarta, 17 de julho de 2019

Edinho Magalhães
Compartilhar:

A Torre de Babel da Reforma

05 de julho de 2019
A reforma da Previdência começou a andar, enfim, na Câmara dos Deputados.

Após semanas de discussões o texto do relator começou a ser votado na última quarta na Comissão Especial. Com três versões diferentes, construídas ao longo dos últimos dias, o texto modificado é um claro sintoma do clima de ‘última hora’, que se formou no Parlamento. Coisa típica de brasileiro, é verdade. Porém, cada vez mais típico do Governo Bolsonaro que está fincando a marca do improviso, do arremedo, do ‘disse me disse’ e do ‘tira e põe’, à sua gestão.

Os bastidores da condução da Reforma da Previdência na Câmara Federal revelam uma bagunça generalizada. Como o Governo não tem base e não consegue se comunicar bem, restou a alguns líderes partidários a tentativa de avançar no tema com o presidente da Casa assumindo as rédeas do ‘Calendário Maia’, como está sendo chamado o prazo definido por Rodrigo Maia. Ele quer aprovar a Reforma antes do recesso parlamentar (re)marcado para 19 de julho. Mas não porque esteja alinhado com o Governo, pelo contrário, mas pela “necessidade” em assumir o protagonismo de uma pauta nacional (que inclui a Previdência) numa estratégia de ação que mais parece com o Parlamentarismo, sinalizando ao mercado, à indústria e ao comércio.

Pra piorar a situação do Governo, ainda teve de tudo: líderes partidários passaram a receber pressão de todos os lados, em especial das entidades que representam as carreiras de servidores públicos que se sentiram abandonadas pelo Executivo; parlamentares mais fisiologistas aproveitaram o momento para ‘criar dificuldades e tentar obter facilidades’ junto ao Governo; Uma série de reuniões e encontros secretos surgiram com estratégias para desgastar o Planalto; E até a oposição se consultou com lideres do Centrão, no melhor sentido da frase “o inimigo do meu inimigo virou meu amigo”, tendo o Governo como alvo.

A comunicação entre líderes, Rodrigo Maia e governistas ficou ruim e se transformou numa verdadeira ‘Torre de Babel’: ninguém se entendia. E como não havia planejamento, a Reforma foi sendo conduzida nas ‘coxas’ como uma colcha de retalhos, cheia de remendos.

Pois bem, o ônus ou o bônus do resultado deverá ser descontado ou creditado muito mais na conta do Governo do que na do Parlamento. Ainda mais se o Planalto continuar ‘batendo cabeça’ longe de ter uma atuação mais planejada e profissional. Isso também tem que mudar.

Polícia sem Apoio

As forças policiais do país estão chamando o presidente Bolsonaro e o partido PSL de ‘traidores’ por não terem sido atendidos na Reforma Previdência. Não é pra menos: uma das principais promessas de campanha foi a melhoria da segurança pública.

Articulação até na Oposição

A certa hora da noite entrando pela madrugada, o deputado Wellington Roberto, líder do PR, foi visto passando estratégias para as lideranças do PSB, PT, Pc do B e Psol.

Na Presidência

A semana começou cedo com a visita dos deputados Ruy Carneiro e Damião Feliciano na residência oficial da Presidência da Câmara, na noite de segunda-feira. Rodrigo Maia recebeu os dois, mas os encontros tinham pautas diferentes.

Moção de Repúdio

O deputado Pedro Cunha Lima se manteve afastado – por hora – da discussão na Reforma da Previdência. Preferiu se manter atento aos trabalhos da Comissão de Educação que “já tem emoção demais”. Querem aprovar uma “Moção de Repúdio” ao Ministro Abraham.

Lista Tríplice

O presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, ANPR, paraibano Fábio George da Nóbrega, deverá ser chamado a apresentar a lista Tríplice para indicação do Procurador Geral da República, ao presidente Bolsonaro, ainda este mês.

Maestros da Reforma

Para o presidente do Sindireceita Nacional, paraibano Geraldo Seixas, os mastros da Reforma na Câmara Federal são Wellington Roberto e Aguinaldo Ribeiro, que “recebem as entidades, conversam com os líderes e orientam suas bancadas de acordo com o que foi acertado”.

Efraim com Moro

Já o deputado Efraim Filho aproveitou a semana da previdência para avançar em outras atividades. Foi recebido na tarde da última quinta pelo Ministro Sérgio Moro, na companhia do deputado Eduardo Bolsonaro. Na pauta, a referência de seu trabalho à frente da CPi dos Fundos de Pensão - que não virou pizza - em 2016.

 

Relacionadas