sexta, 14 de maio de 2021


Hermes de Luna
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A plataforma das gestões em pandemia

06 de outubro de 2020
Mais do que sensata, a decisão do Pleno do Tribunal Regional Eleitoral, que estendeu a proibição de atos políticos que causem aglomerações para todo o Estado, foi crucial para atendimento dos protocolos sanitários. É evidente que carreatas, comícios, passeatas e afins, realizados no formato de carnaval fora de época pelo interior, alastra os perigos de proliferação do novo coronavírus. Foi uma sessão com um amplo debate, mas que terminou com o assentamento de um norte para os juízes eleitorais, que já começaram a agir no impedimento da agenda para novos atos que reunissem multidões, sem qualquer precaução mínima com a saúde.

Basta olhar para a ocupação de leitos para adultos. No Sertão era de 39% e já chegou a 52%. Houve aumento também na Capital e em Campina Grande. Não é mera coincidência a realização de grandes festas políticas pelas ruas das cidades.

Há uma grande incoerência nisso tudo, a liberação criminosa de atividades de todos os fins pelos prefeitos municipais envolvidos na campanha pela reeleição. Foi a forma encontrada por eles para afrouxar as medidas que controlavam as aglomerações, principalmente depois que tiveram seus nomes confirmados em convenções partidárias. O que se assiste nos fins de semana pelo interior do Estado é de uma irresponsabilidade sem precedentes. É como se campanha fosse vacina para o pandemia.

O estado pode pagar um preço muito alto depois que passar a disputa política. Podemos assistir amargas medidas de contenção de fluxo e de pessoas, por culpa apenas dos políticos que incentivam a mobilização de milhares de eleitores. Em seu voto Minerva, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PB), desembargador José Ricardo Porto, foi cirúrgicos ao pontuar que os candidatos não estavam proibidos de fazer o corpo a corpo, sem juntar centena de aliados, mantendo cuidados com a sua saúde e com a dos seus seguidores. O absurdo está nas micaretas que assistimos, que não traz qualquer efeito prático na campanha, a não ser uma demonstração desnecessária de força econômica e descontrole em suas  responsabilidades enquanto cidadãos que querem governar uma população que vai precisar de leitos.