sexta, 19 de abril de 2019

Lena Guimarães
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A mexida de Romero

06 de abril de 2019
Não se trata de dar empregos a dois ex-deputados, ambos economicamente independentes. A decisão do prefeito Romero Rodrigues de levar Bruno Cunha Lima e Renato Gadelha e outros políticos para sua gestão, além das contribuições que podem dar, tem tudo a ver com o fortalecimento do seu grupo e os projetos para 2020 e 2022.

Com o governador João Azevedo empenhado em deixar marca forte em Campina - já anunciou o Centro de Convenções e o VLT para a cidade – e com o PSB tendo à frente o senador Veneziano Vital do Rêgo, adversário que não pode ser subestimado, o jeitoso Romero Rodrigues se movimenta para reforçar sua posição no campo oposicionista, abrindo espaço para aliados com bom conceito e prestigio junto aos eleitores.

Bruno Cunha Lima, que vai para a Chefia de Gabinete, foi o candidato a deputado federal mais votado em Campina na última eleição, recebendo 10% dos votos válidos, concorrendo com nomes com o deputado Pedro Cunha Lima, a ex-primeira dama do município Ana Claudia Vital do Rêgo, e o deputado Damião Feliciano, marido da vice-governadora Lígia Feliciano.

Bruno é ativista de causas sociais e foi um dos poucos candidatos do Brasil que recusou dinheiro público para fazer campanha em 2018. É um potencial candidato a sucessor de Romero, e estará em um dos cargos de maior visibilidade da Prefeitura. Com isso, o deputado Manoel Ludgério, que já se lançou, passa a ter concorrente forte na aliança.

Renato Gadelha tem origem em Sousa, mas sua família estendeu sua influência econômica a Campina, onde um irmão, Dalton Gadelha comanda a Unifacisa e a TV Itarare, outro, Buega Gadelha, preside a Federação das Indústria da Paraíba, sem falar no terceiro, Marcondes Gadelha, que tem o controle do PSC na Paraíba.

Romero levou para o primeiro escalão o jovem vereador Lucas Ribeiro, filho da senadora Daniella Ribeiro e neto de Enivaldo Ribeiro (já foi prefeito, deputado estadual e federal e agora é vice-prefeito), que têm o controle do Progressista e reconhecida liderança na cidade. É também opção para prefeito em 2020.

A reforma administrativa dá a Romero mais respaldo político e perspectivas para o futuro.

TORPEDO

"Eu tenho vontade, mas não vou. Tenho vontade de um dia de voltar a administrar Campina Grande para concluir aquilo que não pude. (...) A oposição não deixará de ter candidato se do outro lado estiver Antônio, José ou Maria. O que vai ser confrontado é modelo de gestão."

Do senador Veneziano Vital do Rêgo (PSB), descartando disputar sucessão de Romero Rodrigues, mesmo se opositor for Cássio Cunha Lima.

Alternativas

Em entrevista a Nilvan Ferreira, Victor Paiva e João Costa no Correio Debate, Veneziano citou como viáveis para a disputa em Campina Grande os nomes de Ana Claudia, Inácio Falcão e Olímpio Oliveira.

Pauta dos...

Apenas 88 dos 223 prefeitos da Paraíba atenderam ao convite da Famup para discutir suas prioridades para a bancada federal, como aprovação do projeto que trata da partilha de recursos da exploração de petróleo.

... prefeitos

A Famup diz que a aprovação desse projeto vai garantir R$ 170 bilhões para os municípios, sendo a fatia da Paraíba de R$ 4,6 bilhões. Também defende compensação por desoneração de ICMS sobre exportações.

Golpe

A vereadora Eliza Virgínia teve seu celular clonado e o responsável passou a pedir dinheiro aos seus contatos através do WhatsApp. Ela identificou o golpe quando sua irmã foi solicitada a fazer um depósito.

Posse

O vereador Sales Júnior (PRB) assumiu, ontem, a prefeitura de Patos, 4° maior município da Paraíba em população. Substituiu o vice-prefeito Bonifácio Rocha (PPS) que renunciou sem deixar motivos claros.

Poder

O novo prefeito é do partido de Hugo Motta e Nabor Wanderley, que perdeu as eleições para Dinaldo Wanderley (PSDB), afastado do cargo após investigações do GAECO. PRB e PPS integram base do PSB.

ZIGUE-ZAGUE

< Sérgio Cabral soltou novas bombas em depoimentos à Justiça: “Eu fui achacado por parlamentares federais, eu tive que fazer tratos com ministros do TCU e do STJ”.

> O ex-governador do Rio revelou que Dilma Rousseff nomeou Marco Aurélio Bellizze para o STJ a seu pedido. Que indicou-o após sofrer pressão de Régis Fichtner.

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