sábado, 23 de março de 2019

Edinho Magalhães
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A liderança do anti-petismo

23 de outubro de 2018
Nem Haddad e nem Bolsonaro. Quem vem liderando as pesquisas de opinião pública em todo o Brasil é o anti-petismo. Um sentimento que surge como uma onda contra tudo o que a velha política representa, e a decepção da maioria dos brasileiros que um dia acreditou no PT. Que um dia teríamos mudanças reais em nosso país com o PT no poder. Porém, pouca coisa mudou. De 2002 até 2015, tivemos as velhas práticas, o mesmo toma lá da cá, do mesmo sistema Político-Eleitoral e de Governo. Em 13 anos nenhuma reforma substancial: nem previdenciária (que o próprio Haddad já reconhece a necessidade),nem tributária e, lamentavelmente, nem a política. Tudo igual. Pra completar,entramos numa série de crises: econômica, política e moral. O PT se aliou aos velhos coronéis que comandavam o Congresso Nacional. Tudo para se manter no poder. A Lava jato, que é aprovada por ao menos 80% dos brasileiros, revelou os bastidores podres do ‘sistema’. A crise moral colocou diversos caciques do PT na prisão, incluindo três ex-tesoureiros e sua estrela maior, o ex-presidente Lula. A crise econômica refletiu diretamente no impeachment da ex-presidente Dilma. E a crise política ficou latente nestas eleições com a derrota de figuras emblemáticas do partido que vem encolhendo de tamanho.

Pois bem, e o que tivemos ao final de 13 anos? Temos 13 milhões de desempregados, uma crise econômica enorme, um atraso imenso, uma infra-estrutura pífia, um emaranhado de tributos injustos e excessivos e uma burocracia de tamanho continental. De 2002 a 2015 o PT não conseguiu mudar esse quadro.Daí um tanto da decepção do brasileiro. Pode-se até falar em pagamento da dívida externa, mas de que adianta ter se livrado de bilhões, se a dívida pública interna quebrou recordes de lá pra cá,em trilhões de reais? (Correio Braziliense de 9/7/18 estima a dívida em 80% do PIB: R$ 4,1 trilhões).Pode-se falar da melhora na assistência social para os mais necessitados. Talvez isso explique a posição isolada da maioria dos eleitores do Nordeste em favor do candidato do PT. Mas de resto, pouca coisa ou quase nada mudou.

Com a economia em frangalhos, não se tem investimentos, nem geração de emprego e renda. E com isso, a insegurança surge. E surge de tal forma ao ponto de criar o fenômeno ‘canibalismo social’: quando pessoas das classes C, D e E são roubadas pelos próprios vizinhos, em pontos de ônibus, dentro deles, em igrejas, nas esquinas, a qualquer hora do dia ou da noite.

Isso tudo somado ajudou a criar esse sentimento anti-petismo, o verdadeiro líder das pesquisas.

Ou cá pra nós, será que cerca de 60 milhões de brasileiros pretendem votar em Bolsonaro porque passaram a acreditar, agora, que ele teria sido um excelente parlamentar nos últimos 25 anos? E que por isso poderá fazer uma excelente gestão na administração do país sem nunca ter feito nada parecido antes? Uma amiga paraibana que atua no MPF, em Brasília, arrisca uma explicação bem simples: “Edinho, primeiro a Ordem depois o Progresso”. Talvez isso ajude a explicar o tamanho da decepção do brasileiro replicada em mensagens do whatsapp: “Prefiro a incerteza do novo do que a certeza do roubo”.Esse cenário assusta. Que Deus nos proteja.

Sobre Lira, Cássio e Maranhão

O trio de senadores paraibanos não saiu feliz dessas eleições. Lira desistiu, Cássio perdeu e Maranhão ‘deixou de ganhar’. Maranhão ainda conta com 4 anos no Senado. O pragmatismo do senador Lira não o permite correr riscos e ele soube o momento certo de recuar. E a surpresa veio com o senador Cássio, de líder nas pesquisas para 4° colocado numa dupla escolha.

Estrelas Nacionais...

Resta a sensação de que quanto maior a estrela do parlamentar em Brasília, parece que menos é lembrado no próprio Estado. Há exceções. Mas em 2018 vigorou o dilema. Cássio foi líder do PSDB e é vice-presidente do Senado. Lira foi líder do partido e presidente da comissão do impeachment. Maranhão foi presidente da CCJ. Nada disso foi relevante ao eleitor.

...sem Reconhecimento Estadual?

Resta agora esperar para saber qual a próxima jogada cada um a partir de 2019. Maranhão continua no Senado. Lira irá decidir se continua na política. Cássio volta os olhos para 2020 tentando alguma continuidade. Até lá o trabalho continua no Senado. ‘Só acaba quando termina’.

Vital Processa Bolsonaro

Circula no whatsapp nota veiculada na imprensa nacional, datada de 1993, que o então procurador da Câmara dos Deputados, paraibano Vital do Rêgo, resolveu representar o colega Bolsonaro pedindo sua cassação. Não deu certo. E depois disso, coincidência ou não, o filho do major Veneziano não conseguiu mais ser eleito a nada e o capitão Bolsonaro foi reconduzido sucessivamente até 2014.

Frase

“Quem com Ciro ferra, com Cid será ferido” - meme circulando no whastapp sobre os irmãos Ferreira Gomes do Ceará.

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