sábado, 21 de setembro de 2019

Lena Guimarães
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A falta que um mandato faz

31 de agosto de 2019
É do diplomata, ex-conselheiro de Segurança Nacional e ex-secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, a frase que melhor define a sensação e o gosto de ter o controle: “O poder é o afrodisíaco mais forte”.

O ex-Primeiro-ministro do Reino Unido, Benjamin Disraeli sustentava que “todos amam o poder, mesmo que não saibam o que fazer com ele”. Millôr Fernandes diz o mesmo com outras palavras: “O poder é o camaleão ao contrário: todos tomam a sua cor”.

A reflexão sobre o poder é resultado da admissão pelo ex-governador Ricardo Coutinho, de que se a eleição fosse agora certamente não desistiria de lutar por um mandato de senador.

Ricardo está há oito meses sem mandato, depois de passar 25 anos em cargos eletivos de destaque, sendo mais de 13 anos como prefeito de João Pessoa e governador do Estado, tendo o poder de decidir quem prestigiar com secretarias e empregos comissionados, quem ignorar, e principalmente onde e em que investir os recursos públicos.

Era ouvido e temido pela classe política. Aliás, pelo desassombro que demonstrou desde quando vereador e depois deputado estadual, sempre conseguiu influenciar a política e atingir seus objetivos.

Para não se candidatar em 2018, disse que não poderia deixar o cargo com a vice, pois temia um retrocesso no seu “projeto”. Era um sacrifício em nome da causa. Nada a ver com o temor de uma derrota para Cássio Cunha Lima, Roberto Paulino, Daniella Ribeiro ou seu companheiro Veneziano Vital do Rêgo.

Os políticos dizem que até o café é servido frio a gestor em final de mandato. Isso não aconteceu com Ricardo. Graças a vitória de João Azevedo, exerceu o poder até o último dia. Mas, passados oito meses, uma operação “Calvário” que atingiu seu núcleo íntimo e o golpe no PSB, está sentindo a falta que o mandato faz, pelo poder que confere. Já não é ouvido como antes. Nem temido.

A maioria dos deputados declaram que não vão participar do SOS Transposição e Lula Livre, neste domingo. E Ricardo, em entrevista à rádio Correio FM de Campina, admitiu: “Se fosse hoje a eleição, eu iria disputá-la. Se fosse hoje, naquele quadro, eu disputaria o Senado sim e lutaria muito para representar o nosso Estado”.

TORPEDO

O nosso desejo é de continuar essa luta de muita unidade interna, com muito diálogo dentro do órgão e com todos os Poderes e instituições, pois esse é o papel do MP: atuar com independência, harmonia, transparência e equilíbrio para, assim, poder prestar um serviço cada vez mais qualificado a sociedade - Do procurador-geral de Justiça Seráphico da Nóbrega, sobre como será seu segundo mandato no MPPB.

DEM cresce. ACM Neto, o presidente nacional do DEM, estará hoje na Paraíba, participando do esforço do deputado Efraim Filho para fortalecer o partido no Estado, aproveitando a boa maré nacional.

Filiações. Eles vão receber as filiações de cinco prefeitos, entre eles o de Cabedelo, Vitor Hugo. Os outros são Kiko Monteiro (Caaporã), Serginho Costa (Baía da Traição), Eliselma (Marcação), e Pedro Caetano (Bom Sucesso).

Moro. O deputado Julian Lemos (PSL) promete levar para Sérgio Moro relatos sobre esquemas de corrupção na Paraíba. Não antecipou quais, mas se for passar as listas do Gaeco e TCE, ocupará ministro por bom tempo.

Congresso. Quinta-feira será aberto no Centro Cultural Ariano Suassuna, o III Congresso Internacional de Direito, Governança e Inovação, realizado entre outros pela UFPB e Universidade de Santiago de Compostela.

Debates. Entre os temas, reformas tributária e previdenciária, compliance e reforma trabalhista, organizações criminosas e lavagem de dinheiro, eleições e governança, patrimônio cultural e responsabilidade social.

Conferência. Entre os organizadores, os professores doutores Marcelo Weick, Sales Gaudêncio e Solon Benevides. A abertura será com conferência do desembargador federal Edilson Nobre Júnior (TRF-5).

ZIGUE-ZAGUE



  • Ernesto Araújo (Relações Exteriores), que se reuniu com Donald Trump, disse que ele é contra ideias de “relativizar a soberania brasileira sobre a Amazônia”.


  • “O presidente Trump foi contra, tanto pela amizade com o Brasil quanto por compartilhar da nossa visão de mundo de que não é assim que as coisas funcionam”.


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