domingo, 17 de fevereiro de 2019

Lena Guimarães
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A coragem de D. Delson

10 de fevereiro de 2019
Desde que assumiu a igreja católica, o papa Francisco demonstra com atos que seu compromisso maior é com a fé cristã e com os cristãos. Tanto é verdade que teve a coragem de enfrentar publicamente os danos provocados por denúncias de abusos sexuais pelo mundo afora, principalmente pedofilia, e de afastar do sacerdócio os responsáveis.

Nos últimos dias admitiu que algumas freiras foram transformadas em “escravas sexuais” por padres, e tomou providências enérgicas contra os que romperam o compromisso do celibato, e mais do que isso, cometeram crimes contra vulneráveis.

Casos de freiras com filhos que não foram reconhecidos, algumas  que foram punidas por seus superiores e agressores, chegaram à imprensa. A igreja antes de Francisco mantinha silêncio. E a impunidade, como ocorre independente do crime, alimentou outros.

Para alguns, admitir tais erros que ofendem a fé cristã, fragilizaria a imagem da igreja. Na verdade, está ocorrendo o contrário: os católicos estão apoiando o Papa e seu esforço para restaurar o compromisso com as leis de Deus, que condenam pedofilia, separando o joio do trigo.

E essa visão do Papa chegou à Paraíba com a nomeação de Dom Manoel Delson Pedreira da Cruz como arcebispo. Inspirado em Francisco, teve a coragem de reunir os padres que estão sob sua autoridade e entregar, a cada um, olhos nos olhos, um decreto que assinou e pelo qual estabelece regras para o convívio dos religiosos com menores de idade e adultos vulneráveis.

Dom Delson proibiu que fiquem na companha desses grupos desacompanhados dos pais ou de responsáveis, tanto na casa paroquial, como em carro ou em ambientes reservados.

Considerando a condenação pela Justiça, em R$ 12 milhões, contra a Diocese,  em razão de casos de abusos sexuais, a providência foi necessária. E mais: considerando que até pouco tempo a ordem era abafar, mostra compromisso com os fieis e com o futuro da igreja.

Quem sairia de casa para ouvir ensinamentos sobre fé, ética, moral e boas práticas de um sacerdote acusado de corromper menores indefesos ou adultos vulneráveis? Quem deixaria suas crianças frequentarem o mesmo ambiente?

Fácil é o caminho da omissão. Dom Delson merece aplausos. Seu decreto é importantíssimo passo para recuperar a confiança na igreja.

Torpedo

"A segurança pública tem sido olhada, tratada e vista por nós com compromisso. Nós conseguimos reduzir todos os índices quando se trata de segurança. O nosso Estado é visto como exemplo e isso é conquistado por homens e mulheres que atuam na área", do governador João Azevedo (PSB), ao fazer a primeira inauguração de sua gestão, uma UPS no Colinas do Sul, em João Pessoa.

Vergonha!

De Pedro Cunha Lima (PSDB), sobre áudio de conversa entre secretários e empresário que combinavam licitação na Saúde: “Algo que exige explicações, investigações e punições. Isso é uma quadrilha! Vergonha!”

Mulheres

Na Paraíba ela fundou o “Todas por Uma”  e presidiu a Comissão da Mulher da Assembleia. Agora em Brasília, a senadora Daniella Ribeiro já mobiliza as congressistas em torno de pauta importante para o gênero.

Pauta

Dos 81 senadores, apenas 12 são mulheres (14,8%). Por isso, quer  formar frente capaz de decidir sobre questões que importam para o gênero, como violência e igualdade salarial entre homens e mulheres.

Encontro

Líder do PP no Senado, Daniella Ribeiro confirmou para esta semana uma reunião com as senadoras, mas pretende também mobilizar as 77 deputadas federais, igualmente donas de 15% dos votos da Câmara.

Projetos

No primeiro momento elas vão identificar os projetos que já tramitam na Casa e que têm como pauta a mulher, e eleger prioridades. “Em segundo momento, apresentaremos a pauta ao presidente Davi Alcolumbre”, diz.

Violência

O presidente do TJPB Márcio Murilo indicou os magistrados que comporão a Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica: Graziela Gadelha, Antônio Gonçalves e Ramonilson Gomes.

Zigue-zague

O procurador da Lava Jato Daltan Dallagnol defende projeto anticrime de Sérgio Moro, por ser  “extremamente pertinente para o momento atual do Brasil”.

Diz ele: “Não é uma criação abstrata. Partiu de problemas concretos que juízes, procuradores e delegados enfrentam na investigação de crimes complexos”.

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