sábado, 16 de fevereiro de 2019

Renato Félix
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A conta da cota

28 de novembro de 2018
Este ano, um fato inusitado aconteceu no circuito de cinemas em João Pessoa: em uma determinada semana, o Centerplex MAG programou apenas um filme para todas as suas salas e todas as sessões. Era Vingadores — Guerra Infinita. Por um lado, quem quis conferir o grande sucesso de mais um filme do Marvel Studios, conseguiu fazer isso mais facilmente. Por outro, quem quis assistir a qualquer outra coisa em todo o mundo do cinema, teve que procurar outro lugar.

O Centerplex estava conscientemente infringindo um termo que a empresa assinou (junto com outras empresas exibidoras) com a Ancine, se comprometendo a cumprir a cota de tela. Essa cota estabelece que um mesmo filme pode ocupar no máximo 30% das salas do país — e para cada multiplex há um limite próprio de ocupação, dependendo do seu número de salas.

Como o Centerplex resolveu descumprir o acordo em função de faturar mais com Vingadores, a resolução da Ancine previa a compensação posterior com a exibição de filmes nacionais.

Agora, o Tribunal Regional da 3ª Região suspendeu a cota de tela. O desembargador relator da matéria ainda resolveu fazer crítica de cinema afirmando em seu voto que a qualidade do cinema nacional é "diga-se, bastante irregular".

É de se perguntar se o magistrado acha que a qualidade dos blockbusters de Hollywood é regularmente ótima. Porque a cota de tela existe para evitar que aconteça o que aconteceu na estreia de Jogos Vorazes — A Esperança: parte 1, que em 2014 estreou em 1.300 das 2.800 salas do país. 46% de ocupação, o que caracteriza um lançamento predatório.

A Ancine costurou o acordo com as exibidoras para evitar esse tipo de abuso e fazer com que outros lançamentos tenham alguma chance no mercado e o público tenha opções e não fique refém de um único lançamento onipresente. A Ancine vai recorrer da decisão.

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