domingo, 15 de setembro de 2019

Roberto Cavalcanti
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A arte do encontro

02 de junho de 2019
“Quando procuro o que há de fundamental em mim, é o gosto da felicidade que eu encontro”. Identifico-me com esse pensamento do filósofo Albert Camus, e acrescento: felicidade para mim está no encontro, não apenas de corpos (pessoas com as quais temos relações), mas de almas (aqueles que admiramos, que nos trazem alegria e nos fazem melhores).

Um amigo precioso me dizia que os encontros são “prova cabal de que a vida não é, e jamais será, um lance de dados, um fortuito jogo de azar ou sorte sem finalidade nem teleologia, mas, sim, um roteiro belo traçado por um arquiteto santo, sábio e amoroso, que tudo realiza para a sua glória e para o nosso bem”.

Sua perfeita definição atiçou minha imaginação sobre alguns encontros com os quais sonho. Em Lucas 11,34 está escrito que “os olhos são a candeia do corpo” e que “quando os seus olhos forem bons, igualmente todo o seu corpo estará cheio de luz”. Como seria encontrar, e melhor ainda, olhar nos olhos de Jesus?

Tomando por base os “encontros” espirituais, a emoção toma conta de mim ao cogitar um físico, neste plano. Sei que Ele não precisaria dizer uma palavra para que eu entendesse a amplitude do amor que provou sentir pelos imperfeitos homens. Um olhar seria o suficiente.

A facilidade de comunicação é característica do encontro de almas e não apenas de corpos. Com algumas pessoas, o entendimento é tão natural que mesmo tendo conhecido há pouco tempo, parece que foi há décadas. Com outras, você convive por toda a vida e não consegue o mesmo resultado.

Tem um ditado que diz que você só conhece uma pessoa quando come um quilo de sal com ela. Traduzindo: leva tempo. E não basta conviver socialmente. É preciso avaliar comportamentos nos tempos de calmaria e de tempestade, na saúde e na doença...

Uma forma de se conhecer as pessoas é viajando juntos. Conciliar agenda de visitas e eventos, escolhas de restaurante e de transporte, e até assuntos de conversas, por exemplo, é teste que expõe a real personalidade que, não raro, é mantida sob controle em ambientes sociais.

Um dorme mais que os outros, atrasa a saída de todos, e nem pede desculpa, porque acha que está no seu direito; um quer ir de táxi, o outro, a pé; um quer comida japonesa, o outro, italiana; as derrotas em relação às opções levam a fofocas que machucam...

É um teste de compatibilidade 100% seguro. Por isso mesmo, é também oportunidade de encontrar almas gêmeas, ou seja, pessoas cujos valores são os mesmos que os seus, que, igualmente, apreciam as mesmas coisas e que se entendem sem precisar de longos discursos.

Recentemente, vivi essa experiência. Uma viagem com antigos e novos amigos, com momentos inesquecíveis. Todos na mesma sintonia, propiciando o enriquecimento do grupo. Retornei iluminado, satisfeito, feliz e me sentindo afortunado.

O poeta Vinicius de Moraes disse que “a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”. Ainda bem que os bons encontros fazem a diferença.

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