terça, 13 de abril de 2021

Cinema
Compartilhar:

Veja a crítica do filme Mãe, do diretor Darren Aronofsky

Renato Félix / 06 de outubro de 2017
Foto: DIVULGAÇÃO
Ninguém vai dizer que o nova-iorquino Darren Aronofsky não é um diretor ambicioso. Dos filmes que dirige, não se pode dizer que estão lá para "cumprir tabela". Seu desejo sempre é mexer com o espectador. Mãe! (2017), em cartaz em João Pessoa e Campina, tem claro esse objetivo: joga o espectador numa espiral psicológica e mitológica, apoiada no gênero do terror. Desta vez, no entanto, ficou longe dos resultados que alcançou em Réquiem para um Sonho (2000) e Cisne Negro (2010).

É preciso atenção desde o começo: as primeiras e enigmáticas cenas vão fazer sentido no final. Até lá, acompanhamos a história de uma jovem mulher isolada em um casarão no campo, com o marido – mais velho, escritor que está em bloqueio criativo, que a trata com ar paternal. Ela passa os dias restaurando a casa, que passou por um incêndio.

Elementos misteriosos vão surgindo, entre eles um estranho casal de fãs do escritor, que parecem surgir do nada e vão ficando. O filme começa como um filme de horror com truques mais do que manjados (a personagem anda pela casa vazia com ar de tensão, se vira e tem alguém atrás dela que, apesar do susto, não é uma ameaça, etc.).

Partindo daí, o mundo da personagem de Jennifer vai ficando fora de controle, até se tornar um ciclone de histeria em massa. Logo o espectador deve perceber que se trata de uma alegoria religiosa, concentrada no mesmo local e tempo, como o personagem de Javier Bardem compactando em suas mãos sua preciosa pedra espatifada.

Essa compactação, de certo modo, justificaria a grandiloquência e a hiperatividade da narrativa. O problema é que o diretor não dosa o simulacro de realidade e suas analogias. Quando o truque fica escancarado, o interesse pelo desenrolar da trama fica comprometido, enquanto tudo vai ficando mais feérico. Quando tudo vai virando uma grande analogia, começam as dúvidas sobre tantos elementos no começo do filme que talvez sejam também alguma analogia, mas possivelmente são apenas elementos narrativos sem maiores significados.

A personagem de Jennifer Lawrence desde o começo ostenta um ar de incompreensão do que a rodeia e é filmada quase sempre em close, um efeito de tormenta psicológica melhor usado em Filho de Saul (2015).

O filme divide opiniões, no entanto, entre os que gostaram das analogias a ser decifradas, e os que não veem muito além desse jogo de adivinhação.

Relacionadas