quarta, 12 de maio de 2021

Cinema
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‘O colar de Coralina’ estreia em JP baseado em poema de Cora Coralina

André Luiz Maia / 22 de novembro de 2018
Foto: Divulgação
O universo lúdico infantil já gerou incontáveis livros, filmes, músicas, enfim, arte. A fonte parece inesgotável. No entanto, chama a atenção o novo filme de Reginaldo Gontijo, O Colar de Coralina, que chega nesta quinta-feira (220 aos cinemas paraibanos.

Ambientado no final do Brasil do século XIX, ele nos desloca dos grandes centros e nos leva a Goiás Velho, antiga capital do estado homônimo. A história é inspirada pelo poema “O prato azul-pombinho” e por episódios da infância da poetisa Cora Coralina.

Como espécie de punição para castigar crianças que quebravam uma louça, era pendurado em seus pescoços um caco da louça quebrada, para que ela lembrasse de sua displicência.

A louça em questão era o tal prato azul-pombinho, o único que restava de um conjunto de 92 peças, algo bastante simbólico para a bisavó da protagonista. A história do filme pega o poema e expande este universo.

“O poema já era praticamente um roteiro, porque ele conta uma história. O que eu fiz foi imaginar aquele universo para além do prato, dando uma contextualização àquela época e inserindo aqui e ali questões que acho importantes de serem trabalhadas”, pontua o diretor Reginaldo Gontijo, em uma entrevista ao CORREIO.

Questões universais

O filme é voltado para as crianças, mas Gontijo defende que há uma universilidade nas questões apresentadas. “Como era uma família de mulheres, aproveitei este gancho para falar sobre o ambiente hostil para as mulheres. A mãe de Cora era uma mulher culta, com leitura, e a filha também queria ter acesso a essas coisas”, explica Gontijo.

Uma das questões da trama, quando os recursos da família começam a escassear, é o fato da matriarca (interpretada por Letícia Sabatella) decidir abrir um negócio, algo impensado para uma mulher brasileira do século XIX. Ao mesmo tempo em que o público se diverte com a mente imaginativa e rica da criança, ele também se depara com essas questões mais realistas, ainda presentes de alguma maneira nos dias de hoje.

A vontade de fazer o filme surge quando o diretor mergulha com mais profundidade na obra de Cora Coralina e começa a ter mais acesso à sua história de vida, marcada com rupturas com o que era pré-estabelecido. “Eu cheguei a encontrá-la pessoalmente, em uma viagem a Goiás. Ela só começou a publicar seus livros por volta dos 70 anos, então só conseguiu desfrutar de alguma popularidade quando estava próxima do fim da vida. Acho que ela merecia esse tipo de homenagem”, declara.

Além de Letícia Sabatella, o elenco conta com atores mirins selecionados nas oficinas realizadas em Brasília pela produtora Digitalina, que também assina a produção do longa. Ao todo foram dois meses de filmagens divididas entre a cidade de Brasília e a cidade de Goiás Velho, com gravações na casa onde Cora morou e que hoje funciona como um museu.

Esse é o terceiro longa metragem de Reginaldo Gontijo. Sua estreia foi com O Mar de Mário, em 2010, sobre Mário Peixoto, diretor de Limite, filme mudo de 1931 que se tornou ao longo dos anos uma referência mundial, sendo eleito em 2016 o melhor do cinema brasileiro em eleição da Associação Brasileira dos Críticos de Cinema (Abraccine).

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