terça, 25 de junho de 2019
Cinema
Compartilhar:

Morre Bernardo Bertolucci, cineasta de ‘Último tango em Paris’

Renato Félix / 27 de novembro de 2018
Foto: Divulgação
Ousadia e polêmica fizeram parte do cardápio de um dos mais importantes cineastas da história: Bernardo Bertolucci. O italiano uniu a política e a investigação dos sentimentos humanos ao rigor formal e à beleza das imagens. Morreu nessa segunda-feira (26), aos 77 anos, em Roma, deixando vários clássicos como legado, como O Conformista (1970), Último Tango em Paris (1972) e O Último Imperador (1987). Morreu em casa: há muitos anos ele vinha doente e em uma cadeira de rodas.

Só lançou dois filmes neste século. Um, comentadíssimo, foi Os Sonhadores (2003), onde ele uniu política, cinema e sexo para uma revisita ao Maio de 1968. O outro, seu último filme, é Eu e Você (2012).

Bertolucci foi poeta, teve um livro premiado aos 21 anos, época em que também estava começando no cinema. Amigo de Pier Paolo Pasolini, foi seu assistente de direção em Acattone — Desajuste Social (1961). No ano seguinte, dividiu com Pasolini (e com Sergio Citti) o roteiro de seu primeiro filme como diretor, A Morte (1962).

Com Dario Argento e Sergio Leone, escreveu a história de Era uma Vez no Oeste (1968), dirigido por Leone. Depois disso, começou uma grande fase como diretor: em 1970, lançou O Conformista e A Estratégia da Aranha. Dois anos depois veio Último Tango em Paris.

Com Marlon Brando no papel principal, contracenando com a jovem Maria Schneider, 19 anos, o filme parte do encontro de uma americano de meia-idade com uma jovem francesa em um apartamento de Paris para um relacionamento baseado no sexo.

O filme causou escândalo mundial, foi proibido por anos no Brasil (e virou atração turística para quem viajava ao exterior). Muito disso vinha da infame "cena da manteiga", em que o personagem de Brando usava o creme vegetal como lubrificante em um momento de violência sexual.

Anos depois, Maria Schneider afirmou que a cena não estava no script e foi improvisada por Brando e Bertolucci sem avisá-la. Disse que se sentiu estuprada e nunca perdoou o diretor, que, em sua defesa, disse que a cena estava, sim, no roteiro e a única improvisação foi o uso da manteiga - e que sua intenção era conseguir uma interpretação verdadeira da atriz.

Bertolucci seguiu com uma cinema que alternava e combinava política, sexo, grandiosidade, inteligência, dilemas humanos, beleza visual. Ganhou o Oscar de melhor filme e melhor diretor em 1987, por O Último Imperador, que trazia tudo isso no mesmo pacote. O cinema fica menor em todos estes aspectos.

 

Relacionadas