terça, 11 de maio de 2021

Cinema
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Elogiado, filme brasileiro ‘Benzinho’ estreia nos cinemas nesta quinta-feira

André Luiz Maia / 20 de setembro de 2018
Foto: Divulgação
A partida de um filho do seio familiar pode ser um processo bastante doloroso, embora inevitável. Benzinho, filme de Gustavo Pizzi, trabalha este momento comum de bilhões de pessoas ao redor do mundo sob a ótica da mãe que vê seu filho abrir asas para ganhar o mundo.

O roteiro foi uma construção a quatro mãos, de Pizzi e sua (agora) ex-mulher Karine Teles, que também estrela a produção. Irene (Karine Teles), uma mulher igual a milhões de brasileiras, a timoneira deste navio chamado núcleo familiar. Moram em Petrópolis, no interior do Rio, e apesar de viver com o marido Klaus (Otávio Müller), trabalha para complementar a renda da casa ao lado da irmã, Sônia (Adriana Esteves), e criar seus quatro rebentos.

Embora sobrecarregada, o carinho que tem pelos filhos a ajuda a ultrapassar algumas dessas dificuldades. As coisas começam a ficar abaladas quando seu filho mais velho, o adolescente Fernando (Konstantinos Sarris) recebe um convite para jogar handebol na Alemanha. Isso a desestrutura, em um processo de reflexão sobre si e sobre sua relação com o mundo.

Gustavo Pizzi e Karine Teles desenvolveram a história tendo como ponto de partida suas próprias trajetórias pessoais. Casados, tiveram dois filhos e todo esse processo de criar seres humanos para o mundo despertaram uma reflexão que se materializa agora em um filme. “Só quando eu tive filho que eu comecei a pensar no momento em que eu saí de casa. Imaginei como deve ter sido para a minha mãe quando eu saí de casa e como será para mim quando meus filhos saírem de casa. A Karine também saiu muito cedo de casa, nossas mães reagiram de maneiras distintas, mas o filme não é sobre nossa história particular, mas sim sobre esse turbilhão de sentimentos que envolvem o período”, destaca Pizzi.

Benzinho já circula por festivais de cinema desde o ano passado e agora está ganhando espaço nos circuitos comerciais brasileiros. Antes mesmo de estrear no território nacional, a produção já foi vendida para 22 países. Só na Espanha, foi lançado em 43 salas, um número expressivo diante do tamanho do país europeu. “O boca a boca está funcionando maravilhosamente, já que não temos campanha de marketing forte”, completa o diretor.

O processo de produção contou com algo peculiar: a participação dos próprios filhos do diretor, Francisco e Arthur. A inclusão deles, de acordo com Pizzi, foi bem natural.

“Na busca pelos atores, eles começaram a fazer alguns improvisos e fomos percebendo que seria uma boa ideia. Conversamos muito com eles e eles que quiseram entrar”, explica o cineasta.

Mais que uma relação de afeto com seu filho que vai embora do ninho, o grande trunfo de Benzinho é apresentar Irene sob um prisma mais completo e complexo. “Ela não é só mãe desse menino, ela cuida dessa casa praticamente sozinha. O marido é legal, mas na relação da casa ele só dá uma ajudinha, ele é quase mais um filho para cuidar. Isso é muito recorrente na nossa sociedade patriarcal e machista”, lembra.

Gustavo aproveita para comentar a respeito das declarações de um candidato à vice-presidência, que fez declarações controversas sobre o papel das mulheres e da ausência masculina em núcleos familiares. “Esses homens poderosos acham que as mulheres não valem nada. Essa declaração é muito sintomática. Temos famílias brasileiras comandadas por mulheres que agem de maneira quase heróica, mas, ao mesmo tempo, elas não querem, são por uma circunstância. Elas precisam de suporte, os homens não são fadados a serem os provedores e as mulheres não nasceram sabendo como cuidar da casa. Todo mundo pode aprender a fazer tudo”, defende.

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