quinta, 21 de janeiro de 2021

Cinema
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Dois longas paraibanos começam a trilhar seus caminhos em festivais

André Luiz Maia / 23 de janeiro de 2018
Foto: DIVULGAÇÃO
O mês de janeiro chega perto de seu fim e dois filmes paraibanos de longa-metragem ganham suas primeiras exibições oficiais, cada um em um festival de importância. Sol Alegria, de Tavinho Teixeira, é exibido dentro da mostra Bright Future do Festival Internacional de Roterdã, na Holanda, enquanto Rebento, primeiro longa de André Morais, tem sua primeira exibição oficial na Mostra de Cinema de Tiradentes. Ambas as exibições acontecem na sexta-feira.

"A estreia em um grande festival internacional é o tiro de largada para a existência do filme, uma tentativa de chamar atenção para a obra e superar o problema da distribuição no país", comenta o produtor executivo de Sol Alegria, Max Eluard. O filme é ambientado em um futuro não muito distante e traz conexões com situações vividas no país atualmente. A história se centra em uma família excêntrica e pouco convencional, ainda mais quando é sobreposta ao cenário do país retratado no filme.

"É um país dominado por uma classe política e religiosa conservadora e nesse contexto surge uma resistência, chamada Falange Sol Alegria", pontua Max. Nesse futuro distópico, as mulheres estão se tornando incapazes de gerar uma vida, fazendo com que a população diminua exponencialmente. No entanto, tudo muda quando a filha dessa família nada convencional se mostra fértil.

Quem já viu outras obras de Tavinho Teixeira, a exemplo de Batguano (2014), pode esperar uma carga de humor ácido e praticamente nenhum pudor. Integram o elenco as paraibanas Mariah Teixeira, Suzy Lopes, o ator português Mauro Soares e uma participação de Ney Matogrosso, amigo pessoal do diretor.

O filme, totalmente filmado na Paraíba, contou ainda com a direção de arte de Thales Junqueira, que ganhou destaque nacional e internacional por seus trabalhos como Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert, e Aquarius, de Kleber Mendonça Filho. "A gente tinha inicialmente a ideia de retratar um futuro, mas quando fomos conversando, percebemos que esse futuro fazia muita referência a situações do passado", explica Thales.

É possível perceber isso nas primeiras imagens, que mostram cenários e figurinos que remetem a um período de época, evidenciando bastante o colorido. "As referências foram de um cinema das décadas de 1960 e 1970, como Macunaíma. A ambientação é soturna, mas a gente queria que o filme tivesse um aspecto colorido, alinhado ao cinema tropicalista, algo que dialoga bastante com o que o Tavinho faz", completa o diretor de arte.

Poético. Conduzido pela força dramática da atriz Ingrid Trigueiro, Rebento, de André Morais, apresenta elipses narrativas para contar a história de uma mãe que renega a própria cria. O CORREIO já assistiu o filme.

A caminhada dessa mulher é episódica e cheia de simbolismos, incluindo difíceis reencontros com mãe e pai. Há muita coisa não explicada no passado dos personagens: Morais prefere deixar a cargo do espectador a função de preencher as lacunas.

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