domingo, 17 de novembro de 2019
Cinema
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Debate com Patrícia Pilar e Walter Carvalho discute o Nordeste

André Luiz Maia / 12 de dezembro de 2018
Foto: Assuero Lima
O que era para ser uma conversa sobre o meio do caminho entre as linguagens da TV e do cinema se tornou uma verdadeira aula com uma mesa ilustre na programação da manhã dessa terça-feira (11) do 13º Fest Aruanda. Com mediação do cineasta e fotógrafo Walter Carvalho, uma das homenageadas do festival, Patrícia Pillar, conversou com o público sobre as novas perspectivas de se fazer audiovisual.

Assim com ela, os atores paraibanos Nanego Lira e Zezita Matos apareceram na série Onde Nascem os Fortes, que teve como um dos diretores o também paraibano Walter Carvalho. Durante a longa conversa, que se estendeu por quatro horas, o público pôde entender algumas das intenções de Walter ao dirigir e fotografar trabalhos diversos e também sobre o protagonismo dos nordestinos nesse novo momento da teledramaturgia, que abre espaço para outros tipos de narrativas.

“Há algo que une dois dos projetos que participei, que é o Onde Nascem os Fortes e Amores Roubados. As histórias apresentam um Nordeste mais complexo, com toda a sua modernidade e conexão com o que há no mundo, mas também com seus atrasos. É um retrato mais amplo do que a gente vinha acostumado a ver em produções do gênero”, pontuou Patrícia Pillar.

A presença de atores e equipe de produção local também ajuda a dar profundidade a esse esforço. Nanego Lira, que também participou da série, afirma que essa troca foi essencial. “Com a liberdade que eu tive, pude inserir elementos que ajudaram a dar profundidade àquele tipo”, afirmou. Zezita Matos pontua a disponibilidade que o ator precisa ter para compor o personagem. “É preciso se libertar de certas vaidades”, arremata.

Para Walter Carvalho, essa aproximação entre cinema e televisão não é inédita nem um movimento recente, mas se consolida com o projeto Amores Roubados. A jornalista Maria do Rosário Caetano tece elogios ao trabalho. “Tinha momentos que eu não conseguia acreditar o nível de qualidade que estava sendo colocado na televisão. Os ângulos, a fotografia, a subversão de fórmulas”, elenca.

Histórias ambientadas no Nordeste e encarnadas por artistas da região, na visão de Walter Carvalho, são fonte inesgotável de inspiração. “Há o Brasil real e o Brasil oficial, dos livros de História. Percebo que agora cada vez mais as pessoas estão procurando o Brasil real e se aproximando de suas histórias”, completa.

Incertezas

Em 2019, Walter Carvalho está com diversos projetos engatilhados, um deles um documentário sobre Irandhir Santos, intitulado Iran. Também deve realizar mais projetos com o roteirista pernambucano George Moura, parceiro em projetos como O Rebu e Justiça.

O ano que vem também dá indicativos de ser um momento delicado para a cultura brasileira, de incertezas. Apesar disso, o cineasta é otimista. “Já vivi muita coisa e acredito que passaremos por uma turbulência. O avião pode balançar muito, pode perder altitude, pode até mesmo cair, não dá para prever. Contudo, acredito que temos ferramentas suficientes para nos levantarmos na sequência”.

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