quinta, 24 de janeiro de 2019
Cinema
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Confira a crítica do filme ‘Bumblebee’, da série Transformes

Renato Félix / 04 de janeiro de 2019
Foto: Divulgação
Quanto Transformers chegou ao cinema, uma mudança chamou a atenção: BumbleBee, que originalmente na versão automóvel era um simpatico fusquinha amarelo, agora era um camaro. Essa escolha por um carro “mais transado” mostrava, de certa forma, que personalidade aquele filme queria ter. Quatro sequências depois, BumbleBee aparece como um prelúdio do primeiro filme. E, agora, o robô volta a ser um fusca. E isso também diz muito sobre esse filme.

Michael Bay, que dirigiu todos os cinco Transformers, aqui é só produtor. BumbleBee é dirigido por Travis Knight, que vem do universo da animação: dirigiu o elogiado Kubo e as Cordas Mágicas (2017). Sob sua batuta, o novo filme é muito superior aos anteriores (o crítico alerta: só viu a série até o terceiro e não se arriscou mais nos dois seguintes). Sai a direção anabolizada de Bay e entra uma narração que busca dar ao filme um coração e personagens cativantes.

Fazer do robô novamente um fusca já mostra o namoro do filme com uma pegada mais sentimental e nostálgica. E até humilde: é o mais curto e menos caro dos filmes da série.

A trama se passa em 1987 e há diversas referências culturais e musicais do período. Mas, principalmente, BumbleBee gasta bastante tempo na construção do relacionamento entre o robô espacial e a garota Charlie, vivida por Hailee Steinfeld. Nisso, o filme logo se mostra uma mistura bem acertada de ET (1982), King Kong (1933) e Se Meu Fusca Falasse (1968).

A escolha de Hailee como protagonista, por si só, é um grande acerto. A atriz, atualmente com 22 anos e mantendo uma carreira paralela como cantora pop, já tinha mostrado seu inegável talento em Bravura Indômita (2010), sua estreia em um longa-metragem. Se os deuses do cinema sorrirem com bons papéis e ela souber escolher bem, tem muito a mostrar.

Em BumbleBee, ela passa uma boa parte do filme fazendo monólogos — não só porque está atuando com a tela verde, mas também porque seu parceiro de cena não tem voz. E ela vai bem tanto nos momentos cômicos quanto nas dramáticos, conduzindo e dominando a cena. Ela faz uma diferença importante no filme.

A direção de Knight e o roteiro de Christina Hodson dão a ela bastante material. Aproveita, por exemplo, que o robô se comunica através da música para estabelecer aí uma relação da garota com a morte de seu pai, da qual ainda não se recuperou. Por isso, ela tem problemas na escola e com a família e o filme não faz disso algo sem importância. A amizade entre Charlie e BumbleBee é importante para os dois.

O filme também não sexualiza desnecessariamente Charlie — a comparação é gritante com a maneira como Megan Fox aparece nos dois primeiros Transformers. Isso também se reflete na maneira menos clichê com o relacionamento com o personagem de Jorge Lendeborg Jr. é desenvolvido. São elementos que contribuem para que o filme tenha um coração, e que ele não seja de lata.

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