terça, 13 de novembro de 2018
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WhatsApp na linha de frente do contato entre a polícia e o cidadão

Fernanda Figueirêdo / 26 de setembro de 2016
Foto: Ilustração
Com o avanço das novas tecnologias, antigos hábitos se renovam com o objetivo de facilitar a comunicação entre as pessoas. O whatsapp, que é um aplicativo de mensagens instantâneas, utilizado no Brasil desde 2010, recentemente tem ganhado mais uma funcionalidade entre os paraibanos: acionar a polícia e tornar mais rápida a ação destes profissionais, garantindo assim a segurança de comunidades constantemente ameaçadas pelo crime.

Na Capital, das 15 Unidades de Polícia Solidária localizadas na Grande João Pessoa, pelo menos três já contam com a utilização desse recurso. Só o Distrito Integrado de Segurança Pública (DISP) em Manaíra, sob o comando do capitão Antônio de Sousa, abrange três grupos de whatsapp, compreendendo os bairros Manaíra, São José, Brisa Mar, Jardim Luna, João Agripino I e II, Bessa, Oceania e Aeroclube.

“Só na UPS Disp Manaíra temos três grupos, com aproximadamente 200 pessoas cada. Tive essa ideia durante uma reunião com moradores de comunidades que sentiam falta desse diálogo mais estreito com a polícia. Essa ferramenta tem facilitado nosso trabalho e auxiliado os moradores. A qualquer hora tem um policial à disposição checando as demandas dos grupos. Todos os dias pelo menos mais quatro pessoas são adicionadas. São comerciantes, padres, pastores, síndicos e demais agentes da sociedade civil organizada”, explicou o comandante, Capitão Antônio de Sousa.

O engenheiro Silvano Melo, morador de um condomínio no bairro Manaíra, faz parte do grupo “Manaíra Mais Seguro” e garante que a ideia de interação entre policiais e moradores no whatsapp tem sido extremamente satisfatória. “O grupo foi criado há aproximadamente seis meses. Participei da reunião feita pelo comandante Antônio e acreditei que essa ferramenta pudesse fazer a diferença, como realmente vem fazendo. Normalmente todas as solicitações que fazemos no grupo são prontamente atendidas”, disse Silvano.

E a ideia de utilizar o aplicativo para chamar a polícia não se restringe à Capital. Cansados de serem assaltados repetidas vezes sem que nada fosse feito, comerciantes do município de Juazeirinho, na região da Borborema, também criaram um grupo de whatsapp para avisar, uns aos outros, e à polícia, qualquer movimento estranho ou indivíduo suspeito que se aproximasse dos bairros monitorados por eles.

Lucicleide Gonçalves é dona de uma padaria no centro da cidade e conta que a ideia tem diminuído a incidência de assaltos na cidade, que fica às margens da BR-230. “Depois da criação do grupo, mais de 60 comerciantes se sentem mais seguros por estarem em contato com policiais e com o próprio delegado da cidade. Essa troca de informações já impediu que vários ataques fossem praticados. É a polícia amiga pelo whatsapp”, disse a comerciante, que já foi alvo de assalto três vezes em dois anos.

“A criação de um grupo de whatsapp formado por comerciantes na cidade de Juazeirinho só ajudou a polícia. Foi uma excelente ideia, porque todos viviam atemorizados com assaltantes que chegavam fazendo arrastões no comércio. Havia em média quatro assaltos por semana. Não é uma ferramenta oficial, mas garante o estreitamento das relações entre a polícia e a comunidade. Uma coisa é certa, só está no grupo quem tem prazer em trabalhar pelo bem da população, porque pode aparecer um chamado a qualquer momento”. Delegado Gilson Teles, que participa do grupo de comerciantes de Juazeirinho no whatsapp.

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TROCA DE INFORMAÇÕES

Em Campina Grande, os grupos de whatsapp existentes neste sentido, segundo os próprios policiais, servem somente para troca de informações entre militares da corporação. “Faço parte de uns quatro ou cinco grupos e nenhum tem civis. Porque, na verdade, a utilização do aplicativo auxilia no serviço de inteligência da PM. Então nesses grupos só participam policiais para que não vazem informações sigilosas, como pontos de tráfico, explosões a banco ou paradeiro de criminosos”, disse o cabo Alanjones Alves.

Segundo um policial que pediu para não ser identificado, o serviço de polícia solidária não funciona em Campina Grande, consequentemente, grupos formados por policiais e população não são bem vistos pela própria polícia. “O serviço de UPS não funciona mais. Diante do número excessivo de ocorrências e poucas viaturas, atendemos todos os lugares e não só o bairro a que somos destinados. Eram 27 viaturas há três anos, agora, se muito, são 10 para atender a Campina inteira. Isso de comunicação com civil pelo whatsapp não funciona, atendemos somente se for questão pessoal, alguém da família”, disse o militar.

Mas, de acordo com o comandante do 2º BPM, Major Gilberto Felipe da Silva, o problema não é falta de efetivo ou qualquer outra questão policial. “O número de viaturas é relativo e o problema não é a questão policial. É impossível ver um policial em cada rua, mas é isso que a população quer. Atendemos as ocorrências do Ciop, que é a comunicação oficial. Não tenho conhecimento de denúncias feitas além do 190”, pontuou.

Já o casal Jankarlly Diniz e Giordana Leite, que mora no centro de Campina Grande, acredita que um serviço policial de atendimento à população via whatsapp seria útil no sentido de otimizar o atendimento das ocorrências. “No centro existem muitos assaltantes que ficam só esperando uma oportunidade pra atacar. Já escapei de um assalto, liguei pra polícia e eles nem foram verificar os homens que estavam ameaçando os transeuntes na rua, então o whatsapp seria mais eficaz do que o próprio 190 no sentido de termos uma resposta rápida”, disse Jankarlly.

WHATSAPP NÃO SUBSTITUI CIOP

Embora seja uma boa ferramenta de interação social, o chefe da Coordenadoria de Comunicação Social e Marketing da Polícia Militar da Paraíba, major Cristóvão Ferreira Lucas, alerta que o whatsapp não pode substituir a ligação feita diretamente para o telefone 190, já que os registros coletados através do Centro Integrado de Operações Policiais (Ciop) servem para controle estatístico da polícia.

“O canal oficial para acionamento da PM é o Ciop (190), pois além de ser a fonte das estatísticas, respalda as ações institucionais. O whatsapp é uma ferramenta de interação social que a PM considera importante, mas para questões emergenciais não é a via adequada”, explicou o major.

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