domingo, 17 de janeiro de 2021

Violência
Compartilhar:

Volta às aulas: como superar o trauma da violência?

Rammom Monte / 01 de fevereiro de 2017
Foto: Divulgação
As férias escolares na rede pública já estão acabando e os alunos já se preparam para a volta às aulas. Mas como fica o clima para retornar às atividades após um 2016 com casos de violência em colégios da Paraíba? De acordo com um levantamento do jornal Correio da Paraíba, houve dois assassinatos em escolas públicas no ano passado. Além disso, foram registrados vários casos de furto, arrastão e até sequestro de professora. O caso mais recente foi na Escola Estadual Maria Jacy Costa, que fica no bairro de Mangabeira, na Capital paraibana, onde um estudante foi morto a golpes de tesoura. O homicídio aconteceu no mês de dezembro do ano passado.

A diretora da escola, Claudete Silva, contou que este foi o primeiro caso de violência que ela presenciou em mais de 35 anos trabalhando com educação, oito destes só na Escola Maria Jacy.  Segundo a gestora, a escola não tem segurança. “Tem ronda policial, mas não é toda vez que vem. O bairro tem muitas comunidades, aí é difícil. Aliás, o rapaz que aconteceu este caso, ele não tinha nem 2 meses que estava na escola, veio de outro bairro. Eu gostaria que viesse pelo menos um segurança, pelo menos no turno da tarde, que o fluxo é maior. Pela manhã é tranquilo, porque é o ensino médio, à noite também, o fluxo maior é a tarde, de adolescentes”, disse.

A escola tem cerca de 500 alunos, nos três turnos. A preocupação que fica é: como superar o trauma causado pelo assassinato? “Ficou meio constrangedor, mas vamos nos reerguer, porque nós não temos culpa do sistema ser de muita violência, não só aqui, em todo Brasil. Eu fiquei surpresa, doida, muito preocupada, porque já aconteceu em várias escolas, mas aqui não. É a violência, está difícil controlar”, afirmou.

 Psicóloga alerta para os perigos

Para a psicóloga Patrícia Diniz, é de extrema importância que, tanto o aluno agressor, quanto o agredido, assim como os demais estudantes, passem por acompanhamento psicológico. Segundo a especialista, casos como estes podem causar temor em todos das escolas, inclusive professores e funcionários.

“(Este tipo de crime) Afeta e muito. Porque o primeiro sentimento que surge é o medo, os outros alunos ficam amedrontados e você fazer qualquer atividade amedrontado é muito ruim e causa bastante ansiedade. Isto gera medo, gera pânico, tanto nos alunos, como para os pais que deixam seus filhos, estes alunos ficam num ambiente de medo devido ao alto índice de violência. O agressor tem que ter acompanhamento psicológico, verificar o que está acontecendo. Até para proteger os outros alunos. Já em relação aos outros estudantes, os alvos, ou as pessoas que estão vivenciando, é importante também que tenha um acompanhamento psicológico, com palestras, também para os pais e professores, que precisam sim de um acompanhamento psicológico neste sentido. Para ver o que está acontecendo, porque talvez uma atitude violenta é só um reflexo do que está vindo de casa”, explicou.

Polícia Militar realiza trabalho preventivo

Visando diminuir o número de casos violentos, a Polícia Militar da Paraíba tem o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd). De acordo com a capitã Poliana Laura, coordenadora do Proerd, o programa atua junto às escolas ministrando aulas. Ao todo, são 140 instrutores do Proerd na Paraíba, atuando em 65 municípios. Em 2016 foram 48.500 alunos contemplados pelo programa.

“A gente fica concentrada na sala de aula. Realizando um trabalho educativo. O trabalho majoritariamente é dentro da escola, se por ventura se deparar com uma ocorrência a gente atende, é óbvio. O objetivo é ministrar estas aulas, fazer a prevenção muito pelo viés do policiamento comunitário. Isto quebra a ideia pejorativa do policial truculento. Os policiais estão pelo menos durante três meses vivenciando a rotina deles”, explicou.

Ação fora das escolas

Com relação a atuação policial fora das escolas, a PM afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que a ronda é feita normalmente, como em toda a cidade. Foi informado também que a polícia tem um planejamento para passar em horários específicos em determinadas escolas previamente monitoradas.

Casos em 2016

10/03 - Estudante é morto dentro da sala de aula em São Sebastião de Lagoa de Roça, Agreste paraibano.

20/04 - Escola Estadual Drumond de Andrade, em Campina Grande, é arrombada, mas bandidos não levam nada.

04/05 - Em Juazeirinho, dois homens invadem sala e roubam alunos na Escola Estadual Marechal Almeida Barreto.

25/06 - Em Juazeirinho, na Escola Municipal Frei Damião, merenda é furtada e ladrões incendeiam local.

29/06 - Em Riachão, ladrões pulam o muro da Escola Estadual Pedro Ribeiro de Lima e levam dois computadores completos.

05/07 - Ladrões levam computadores e equipamentos de informática do Colégio Municipal Miguel Tomaz Soares, em Mamanguape.

18/07 - Em Cuité, a Escola Municipal Maria das Graças Gomes é arrombada pela 4ª vez.

25/08 - Escola Estadual Médio Luiz Ribeiro Limeira, em Santa Rita, é alvo de arrastão.

06/09 - Trio invade a Escola Municipal José Guilhermino Barbosa, em Campina Grande, e rouba celulares de funcionários e alunos.

14/09 - Bando tenta fazer arrastão em escola estadual, em Puxinanã, mas professor reage e atira em acusado.

22/11/2016 - Professora sequestrada na porta da Escola Municipal Luiz Augusto Crispim, na Capital.

12/12/2016 - Aluno é morto a golpes de tesoura dentro da Escola Estadual Maria Jacy Costa, em João Pessoa.

Relacionadas