sexta, 15 de janeiro de 2021

Violência
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Vítimas de assaltos viram reféns do medo e abrem mão de usar os próprios bens

Rammom Monte / 28 de abril de 2016
Foto: Divulgação
O medo da violência vem afetando diretamente a vida da população paraibana. A cada dia são relatos e mais relatos de assaltos e roubos, principalmente para quem transita a pé ou depende de transportes coletivos. Com o temor de ter seus pertences levados, algumas pessoas estão tomando algumas medidas drásticas, como deixar os objetos em casa ou até deixar de comprar um produto melhor para que o prejuízo não seja tão grande. É o exemplo do estudante Vinícus Miron, que teve dois aparelhos celular roubados em menos de um mês e, com receio de um novo assalto, optou por não comprar um novo celular.

“Foram dois assaltos em menos de um mês. Um em Mangabeira e o outro no Valetina. E foram os mesmos caras. Isso faz uns dois meses, desde então eu não tenho mais celular. Estou isolado do mundo, mas decidi não comprar outro para não ser vítima de um novo assalto. Se eu vier a comprar, vai ser um mais “fraquinho” mesmo”, afirmou.

De acordo com o especialista em segurança, Deusimar Guedes, esta prática vem se tornando cada vez mais comum. Porém, segundo ele, não é novidade. O método já foi utilizado em outras épocas, porém com objetos diferentes.

“Hoje o celular é uma jóia, como era um cordão de ouro, antigamente. Antes, os assaltos visavam relógios, cordões de ouro... Com o surgimento desses celulares caros, os criminosos se voltaram mais para esse objeto, porque é até mais fácil de ser roubado. Do jeito que as pessoas usavam relógios e cordões falsos para se livrar do prejuízo maior, hoje em dia isso funciona com os celulares”, explicou.

Vítima levando a culpa

Uma das inúmeras pessoas que teve o celular roubado foi o designer gráfico Bruno Gomes. Ele relatou que foi abordado em um ponto de ônibus próximo ao seu trabalho e que foi assaltado. Após a ação, Bruno alegou que tentou ligar para o 190 com um telefone de uma senhora que presenciou o assalto, mas as ligações não foram atendidas. Foi aí que ele decidiu ir até uma delegacia prestar um Boletim de Ocorrência. E o que poderia ser a solução para o seu problema, virou um grande constrangimento.

“Eu estava saindo do trabalho e indo até o ponto de ônibus. Dois rapazes pararam de moto ao meu lado e me renderam, levando meu celular, que estava no bolso. Tentei ligar pro 190 pelo celular de uma senhora que viu tudo lá do ponto de ônibus, mas só chamava. Segui para a delegacia para dar queixa. Segundo os policiais que acompanharam o registro do B.O., eu "dei bobeira" por estar com o celular no bolso”, afirmou.

Ele afirmou ainda que chegou a reclamar com os policiais por conta da postura de colocar a “culpa” nele pelo assalto. Segundo ele, os policiais concluíram o Boletim de Ocorrência e o mandaram embora. Para Deusimar Guedes, o principal culpado pela violência é o poder público, mas a banalização da violência fez com que toda a sociedade tenha um papel importante no processo.

“O poder público tem a maior parcela de culpa nisto ai, embora não se possa atribuir a uma instituição única. A policia é a maior responsável, mas não é única. Segurança publica envolve vários segmentos, a sociedade como um todo. A violência nasce da desorganização publica. A sociedade não era para ser “culpabilizada”, mas a violência está ta tão comum que passa essa cultura que todo mundo é para ter ciência desses riscos e não “facilitar. No mundo ideal, as pessoas eram para ter liberdade de circular como quisesse a qualquer hora”, finalizou.

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