sábado, 18 de novembro de 2017
Violência
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Elas conheceram a morte e agora precisam de ajuda para superar a violência brutal

Maurílio Júnior / 26 de outubro de 2015
Foto: Rafael Passos
Dois casos de violência chocaram a Paraíba neste mês de outubro. Em comum, o trauma envolvendo duas crianças. Uma, com apenas oito anos, teve o irmão brutalmente assassinado em um ritual de magia negra e quase era vítima do crime também, no município de Sumé.  A outra, de quatro anos de idade, testemunhou a morte dos próprios pais, assassinados a tiros dentro de casa, em Mamanguape.

A primeira agora é obrigada a conviver com a ausência do irmão de cinco anos, além de ter que viver, por alguns dias, aos cuidados de uma família que não é a sua, até que o pai verdadeiro possa abrigá-la. A segunda, foi encontrada em estado de choque pela polícia, encolhida e escondida depois de ver os pais mortos.

Diante de tamanha brutalidade a mente de uma criança que é vítima de um crime, ou o presencia, fica abalada e traumatizada, o que pode trazer consequências irreparáveis. E, para minimizar os danos emocionais e psicológicos dela é preciso muito carinho, atenção e cuidados especiais. O psicólogo Carlos Alexandre explicou que esse cuidado não pode, de forma alguma, ser negligenciado.

“A criança precisa ser assistida a partir , não pode ser negligenciado este cuidado, já que as consequências são inevitáveis. Ela foi marcada, sofreu um trauma muito relevante, onde vai ter alguns sintomas sérios, como reexperiência traumática, através de pesadelos. Isso acontece de forma involuntária e a pior, ela tem a revivência da situação”, disse Alexandre, que ressalta a importância de deixar a criança à vontade quanto aos questionamentos do acontecido.

“Nossa orientação é de que deixem a criança a vontade. Ela própria vai fazer dentro de sua necessidade. Uma hora ou outra será natural que ela traga esse trauma. Ela vai demonstrar através de comportamento ou brincadeiras. Também de certa maneira ela pode criar estratégia para que o assunto seja abordado. E aí é falar de forma franca para que tenha uma compreensão. Mentir nunca é a solução”, explicou.

Ainda para Carlos Alexandre, outro ponto imprescindível é quanto à busca de um especialista, o qual identificará as principais causas do trauma. “A criança precisa ser acompanhada por um profissional de psicologia e o ideal também é ser acompanhada pelo Estado, através de uma assistente social para saber a realidade da família. Isso mostra a disfuncionalidade familiar, a qual precisa ser reparada na tentativa de uma reconstrução e a busca de um senso de segurança para criança”, afirma.

A negligência em situações agravantes como essas traz consequências irreparáveis, tanto na formação de personalidade, como na estrutura corporal. “Não só na formação da personalidade mas todo desenvolvimento dela. Temos estudo que as reações atingem a estrutural corporal; baixa estatura; atraso no crescimento puberal desenvolver e insônia, que consigo traz o risco da convulsão”, alerta.

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