segunda, 18 de janeiro de 2021

Violência
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Livrar-se de companheiros agressores não é tão fácil

Aline Martins / 08 de março de 2017
Foto: Divulgação
Quando uma mulher é vítima de violência doméstica, muitas pessoas se questionam quais os motivos delas ainda permanecerem sobre as ‘rédeas’ dos companheiros. Mas para a mulher não é fácil mudar tudo como uma troca de roupa. Existem diversas dependências da vítima com o agressor como a financeira, principalmente, mas também a afetiva. No entanto, com um trabalho multidisciplinar com assistentes sociais, psicólogos e advogados é possível mudar. Em João Pessoa, um local para se pedir ajuda é o Centro de Referência da Mulher Ednalva Bezerra (CRMEB), que foi criado em 2007 e desde esse período já prestou 2.576 atendimentos a mulheres em situação de violência. Somente no ano passado foram 134.

Segundo a assistente social do CRMEB, Nenila Almeida, existem diversos fatores para a mulher em situação de violência estar ainda vivendo com os agressores. “Embora a gente escute muita gente falando: ‘Ah, ela ta com ele porque gosta de apanhar’, esses clichês que a gente escuta, mas nós que trabalhamos com essa demanda, vê que a dependência não é por conta disso”, ressaltou. Comentou que existe a dependência afetiva porque muitas vezes existe uma relação de anos de convivência, a dependência financeira, religiosa e familiar.

“Essa mulher não tem um meio financeiro para se sustentar, muitas vezes tem filhos e como vai se sustentar se não for por conta do marido? Que algumas vezes proibiu ela de trabalhar, de estudar. Então no início da relação ela não viu isso como uma violência. Ela não estudou, não teve uma experiência no mercado de trabalho. E 10, 15 anos depois que está com esse companheiro, como ela vai se separar e vai viver de quê? Existe essa dependência financeira, a afetiva, a questão da religião porque a gente sabe que muitas religiões trazem aquele viés de ‘até que a morte os separe’, ‘que se casou que seja para a vida toda’. Também tem a questão que ela não se separa por conta dos filhos”, frisou, destacando que são algumas das características que o Centro de Referência atende.

Ainda de acordo com a assistente social, muitas vezes a família da vítima não quer recebê-la de volta e em alguns casos está com filhos e a mulher acaba ficando com o agressor. O CRMEB só atende vítimas de violência doméstica e familiar.  “Quando a mulher chega no nosso serviço ela vai ser atendida por uma equipe multidisciplinar (assistente social, psicóloga e advogada) chega bastante fragilizada, a gente faz o atendimento que é sigiloso. E essa mulher geralmente  se vincula ao acompanhamento com a psicologia porque é nesse acompanhamento que ela vai ter forças para romper esse ciclo que ela está vivendo porque ela quer deixar esse marido, deixa, mas a situação financeira aperta ele pede para voltar, ela volta e começam as agressões de novo, aí deixa e sempre fica nesse ciclo”, afirmou, acrescentando que o setor psicológico sempre trabalha na questão da autoestima da mulher.

A mulher recebe todo o atendimento. Se quiser denunciar tem uma advogada que acompanha até a delegacia, mas muitas vezes elas temem as ameaças e agressões e não seguem adiante. Além disso, ela é encaminhada para capacitação para poder se inserir no mercado de trabalho. Se tiver filhos pequenos o Centro ajuda a colocar a criança na creche para que a mulher possa trabalhar. Já em casos da mulher não ter para onde ir, Nenila Almeida comentou que o Centro primeiramente conversa coma  família para que ela possa contar com o apoio familiar e se caso não for possível, a mulher pode ir para a Casa Abrigo Aryane Thais, mas nesse caso só se houver denúncia é que a mulher poderá ficar no local por três meses (tempo de tramitação na Justiça) ou ainda nas Casas de Abrigo Adultos, mas é por menos tempos e também mista.

Onde funciona o Centro de Referência da Mulher?

- Rua Afonso Campos, 111, centro, João Pessoa

Denúncia:

- 180

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