quinta, 21 de janeiro de 2021

Violência
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Prisões não assustam bandidos e batalha da polícia contra crimes a bancos fica desigual

Rammom Monte / 06 de novembro de 2015
Foto: Arquivo
A batalha entre a polícia e os bandidos está desigual na Paraíba. E quando o alvo é banco, os números revelam que a criminalidade está na frente. De acordo com o delegado geral adjunto da Polícia Civil, Izaías Gualberto, em quatro anos 400 pessoas foram presas acusadas ou suspeitas de agirem contra estabelecimentos bancários. Entretanto, no mesmo período já foram registradas 430 ações criminosas contra bancos no Estado. Significa que, apesar da ação policial, esse tipo de crime não tem sido reduzido.

Segundo o delegado, o problema não está na ação da polícia, e sim da justiça. De acordo com ele, a legislação brasileira está atrasada e termina influenciando na quantidade alta de crimes deste tipo em todo o Brasil.

“Só a polícia civil já realizou mais de 400 prisões relacionadas a esses tipos de crime nos últimos quatro anos. A gente tem feito a nossa parte. Infelizmente a pena para esses criminosos é muito branda. No Brasil vem diminuindo proporcionalmente nos últimos anos o número de assalto as bancos, mas em contrapartida, aumentou essa modalidade de explosão, porque os criminosos compreenderam que quando eles forem presos, a pena será menor”, disse.

Além da legislação, o delegado atribui uma parcela da culpa às próprias vítimas, as instituições bancárias. Segundo ele, não  há uma preocupação do setor em colaborar com a polícia. “A nossa legislação está muito atrasada, mas por outro lado não tem uma preocupação generalizada do setor bancário em ajudar a polícia, fornecendo, por exemplo, imagens do circuito interno com a destreza necessária”, finalizou.

O presidente do Sindicato dos Bancários da Paraíba, Marcos Henrique, concorda com o delegado quanto a falta de ação dos próprios bancos para coibir as ações criminosas. “Eu concordo. Eu acho que os bancos precisam investir mais em segurança. Os investimentos que os bancos atribuem à segurança são muito poucos em relação aos lucros que eles têm. Os clientes e os funcionários precisam de segurança. Os bancos tratam a questão da segurança como despesa e não como investimento”, afirmou.

Duas explosões em 24 horas

A ação dos bandidos contra os bancos não para. Em 24 horas foram registradas duas explosões. Nessa quinta-feira (05) o crime foi em Ingá e, nesta sexta (06), em Serraria, no Brejo Paraibano. Com o caso desta madrugada, chega a 69 o número de explosões a bancos em toda a Paraíba só em 2015. Além disso, ainda foram registrados mais quatro assaltos, 25 arrombamentos, 11 tentativas de arrombamento e 13 saidinhas de banco, totalizando 122 crimes relacionados a banco no Estado. Os dados são do Sindicato dos Bancários da Paraíba.

Ações da polícia

Nos últimos meses a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança e Defesa Social da Paraíba divulgou algumas ações realizadas pela polícia no sentido de coibir esse tipo de crime. Em abril, por exemplo, a Polícia Civil da Paraíba prendeu sete pessoas suspeitas de integrar uma quadrilha especializada em assaltos a instituições bancárias com uso de explosivos na região Nordeste e com ramificações no Sul do país.

A ação mais recente ocorreu no início desse mês, quando a polícia prendeu um trio de assaltantes especializado em crimes contra instituições financeiras com uso de explosivos. O grupo é suspeito de ‘estourar’ caixas eletrônicos na cidade de Pedro Velho, no Rio Grande do Norte, e foi abordado pela polícia paraibana distrito de Santa Terezinha, na saída para Campina Grande.

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