sábado, 16 de janeiro de 2021

Violência
Compartilhar:

PM registrou um caso de agressão contra mulheres por hora durante o Feriadão

Wênia Bandeira e Ainoã Geminiano / 03 de maio de 2017
Foto: Divulgação
A Polícia Militar da Paraíba registrou um caso de violência contra mulher, a cada hora, durante o feriadão que incluiu o 1º de maio. Entre as 19h da sexta e as 23h59 da segunda-feira, 95 casos foram denunciados à Polícia Militar. Todas as denúncias foram de violência física praticada por homens contra suas companheiras e, desse total, apenas 20 suspeitos foram presos.

Para a militante da Marcha Mundial das Mulheres, Eloisa de Sousa, a incidência de violência contra as mulheres já é algo comum no Estado, principalmente em feriados. O maior tempo de convívio aumenta o risco, segundo ela. “Em feriadão é comum o consumo de bebida e muito tempo dentro de casa. Essa mistura dá mais chance para que o agressor cometa o crime. Infelizmente a Paraíba que já é o quarto estado mais violento para as mulheres e João Pessoa é a terceira capital com maior número de casos, no país”, afirmou.

Os números citados pela militante são do Mapa da Violência 2015, a edição mais recente do levantamento. Eloisa acrescentou que, de acordo com o Mapa, João Pessoa teve uma diminuição nos casos e passou de segundo colocado para terceiro, mas a cidade do Conde hoje é o quarto município com mais feminicídios no Brasil. “Neste ano, a incidência está chocante, porque vários casos aconteceram em um espaço muito curto de tempo. Pelo acompanhamento que fazemos, esse ano deve haver um crescimento de homicídios de mulheres, com relação a 2016”, disse.

Por fim, Eloisa fez um alerta para que as vítimas não deixem de ajuda. Segundo ela, nunca houve homicídios contra pessoas atendidas no Centro 8 de Março, por exemplo, o mesmo acontecendo com mulheres que procuraram outros atendimentos. “Os centros de referências acolhem, protegem e empoderam. Muitas vezes elas saem de um relacionamento e entram em outro igual, por alimentarem essa forma de enxergar a vida, em atitude de submissão, de aceitar tudo. Nos centros de acolhimento é trabalhado o psicológico e o social, para desconstruir essa forma de pensamento”, explicou.

Abuso sexual. A cidade de Guarabira foi palco de um caso de violência sexual contra criança, durante o feriadão. De acordo com a polícia, uma menina de 11 anos foi abusada por um comerciante, que já teria praticado o ato por outras três vezes. O suspeito fugiu quando soube das diligências policiais.

Segundo a delegada Maria Solidade de Sousa, a polícia ainda precisa de provas concretas do crime. “Não houve penetração, mas não deixa de ser estupro porque a menina disse que ele a abraçou, a tocou e a cheirou”, explicou.

A delegada contou que a menina foi até o comércio do suspeito, comprar cigarros a pedido de uma vizinha e, quando chegou lá, ele teria mandado ela entrar, fechado o portão e começado a prática. As carícias só pararam quando um bebê, que estava no colo da criança, começou a chorar. “Ele é um ancião, de cerca de 70 anos, que tem essa mania de mexer com crianças. Nós tentamos prende-lo, mas quando chegamos a sua casa, ele havia fugido”, disse.

De acordo com dados do Centro da Mulher 8 de Março, que são retirados de informações divulgadas pela imprensa, no primeiro trimestre deste ano, três crianças e adolescentes foram estupradas no estado. O número é bem menor que o registrado no mesmo período de 2016, quando oito menores de 18 anos foram violentados.

Leia Mais

Relacionadas