sábado, 05 de dezembro de 2020

Violência
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Paulo Brandão: há 31 anos, tentaram calar o Correio da Paraíba à bala

Lucilene Meireles / 13 de dezembro de 2015
Foto: Arquivo
Mais de três décadas se passaram desde que Paulo Brandão, diretor-presidente do Sistema Correio de Comunicação, foi assassinado. Uma morte premeditada em razão de denúncias publicadas no Correio e que atingiam os poderosos de uma época em que a imprensa era fortemente censurada. O superfaturamento na compra de caçambas pela Prefeitura de João Pessoa, delatado nas páginas do jornal, foi uma das razões para o crime, que repercutiu dentro e fora do país. Apesar da perda, o Correio não se abateu.

O diretor, que era advogado e tinha 36 anos, foi atingido por mais de 30 tiros de metralhadora e pistola, no dia 13 de dezembro de 1984, quando saía da fábrica Polyutil, no Distrito Industrial, na Capital. A metralhadora usada no crime pertencia ao Gabinete Militar.

As denúncias de corrupção que culminaram com a morte de Paulo Brandão incluíram o caso que ficou conhecido como o escândalo dos hotéis, e ainda irregularidades em licitação do DER, que acabou sendo cancelada depois que os fatos se tornaram públicos.

“Paulo Brandão deixou uma grande lição, de que nada é capaz de substituir a democracia no país. Era advogado, escrevia bem e se identificava com o jornal e com os jornalistas. Neste convívio, aprendeu que um diretor tem que ter o pensamento consoante com o da sociedade e dos jornalistas. Daí a independência dele e da linha editorial do jornal no tempo da ditadura”, declarou José Fernandes, diretor geral do Sistema Correio de Comunicação.

Ligação com ditadura. A morte de Paulo Brandão teve estreita relação com o regime militar, que tolhia qualquer oposição através da violência. Praticamente, todos os governantes eram da Arena que, na época, sustentava civilmente o regime, conforme o diretor José Fernandes.

Ele relatou que a violência do regime militar foi adotada como forma de ‘manter a ordem’ pela grande maioria dos governantes do país. O da Paraíba era da Arena, partido que foi o braço político e civil do regime militar. O assassinato aconteceu quando ele se dirigia para o Sistema Correio de Comunicação, em um veículo Parati.

Credibilidade

"A grande verdade é que, como era do conhecimento público e o Correio da Paraíba colocou isso na rua, o jornal decididamente adquiriu o respeito da população. Desde então, o Correio da Paraíba foi acreditado como um jornal que tinha independência, ousava contestar”, destacou Fernandes.

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