sábado, 19 de setembro de 2020

Violência
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Patrick quer defender Marvin na Justiça Espanhola

Ainoã Geminiano / 15 de novembro de 2016
Foto: Reprodução
Ao tomar conhecimento das notícias do Brasil, sobre o amigo que está preso, Patrick Nogueira pediu para dar novo depoimento à Justiça da Espanha, com a finalidade de defender Marvin Henriques. O acusado confesso de matar o tio Marcos Campos e toda a família foi ouvido por cerca de três horas e meia, tempo em que reafirmou que toda a responsabilidade pelos crimes ela unicamente dele e que o amigo Marvin em nada o ajudou. Aqui na Paraíba, o pai de Marvin disse que ainda não sabia desse novo depoimento e acredita que isso pode ajudar o filho a se livrar da acusação de coautoria no assassinato de Marcos.

Marvin Henriques foi acusado de envolvimento nos assassinatos na Espanha, mesmo estando em João Pessoa, depois que a Polícia Federal descobriu que ele conversou com Patrick pelo WhatsApp, enquanto o amigo matava a família. A conversa aconteceu na tarde do dia 17 de agosto, minutos após Patrick matar Janaína Américo e os dois primos de 1 e 3 anos de idade. Enquanto esperava o tio Marcos chegar do trabalho, para também matá-lo, Patrick conversou durante horas com Marvin, chegando a enviar fotos ao lado dos corpos, para exibir o ato ao amigo. Eles ainda trocaram ideias sobre como ocultar os corpos e como Patrick fugir da casa do tio, sem ser percebido pela vizinhança. Por conta do diálogo antes da morte de Marcos, a polícia brasileira entendeu que Marvin seria coautor desse último crime.

O conteúdo da conversa foi repassado pela PF para o Ministério Público, que pediu a prisão preventiva de Marvin, alegando que ele representa um risco à sociedade. Na semana passada, a Justiça negou um pedido liminar da família, para que ele respondesse ao processo em liberdade. Na decisão, o juiz José Guedes Cavalcanti Neto disse que Marvin tinha conhecimento do plano de Patrick matar a família, já que não reagiu com surpresa quando o amigo o informou o ocorrido. O juiz diz ainda que há prova inconteste de materialidade de vários crimes na conversa, entre eles vilipêndio de cadáver e ocultação de cadáver. Diz também que Marvin chegou a enviar um arquivo para Patrick, com intenção de auxiliá-lo na ocultação dos cadáveres.

Mas para o consultor em segurança da internet, Percival Henriques Correia, pai de Marvin, o filho não é coautor de assassinato, porque não teria como impedir que Patrick matasse o tio, tanto pela distância e pela dificuldade de acionar a polícia espanhola, quando pelo plano de assassinatos já ter sido consumado em sua maioria.

"A gente sabe que Patrick é um louco. Mas ter o próprio assassino afirmando que não foi ajudado por ninguém pode contribuir para a defesa de Marvin. Ele errou, pode ter cometido outros crimes, mas ser comparado ao assassino que matou a família e ser mantido e um presídio onde estão os bandidos mais perigosos da Paraíba, não tem cabimento" - Percival Henriques, pai de Marvin. 

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