sexta, 18 de setembro de 2020

Violência
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Terror, pânico e tragédia em Arara na ‘festa da vitória’

Mislene Santos / 04 de outubro de 2016
Foto: Ilustração Correio
Uma verdadeira operação de guerra, proporcional ao tamanho do município, foi montada em Arara, desde a noite dessa segunda-feira (03) para capturar o grupo que plantou o terror na cidade, matou um policial civil e feriu cinco pessoas que estavam comemorando a eleição de Nem da Padaria a prefeito.  Foram mais de 12 horas de ação que envolveu 100 policiais, sendo 70 da Polícia Civil e 30 da Militar, divididos em 15 equipes comandadas pelo mesmo número de delegados.

Um dia após o tiroteio que vitimou o escrivão da polícia civil Marcos Rosas e feriu mais cinco pessoas, o clima na cidade de Arara é de profunda tristeza e insegurança.  O moradores do município que fica a 155 KM de João Pessoa, contaram que os feridos receberam os primeiros socorros de profissionais de saúde que estavam na comemoração e que uma mãe prestou os primeiros socorros ao próprio filho que foi atingido por uma bala perdida.

“Eu estava fazendo a locução do evento quando escutei os disparos aí disse é tiro. Foram vários disparos e a correria foi grande em cima do palco. Todos se deitaram no chão com medo, nós pedidos calma, mas em uma hora desse não tem como ter calma”, declarou Valdir Albino.

Uma das vitimas, que não quis se identificar, disse ao Correio Online que viveu momentos de pânico. “Eu estava feliz comemorando a vitória do meu candidato e de repente me vejo sangrando com um tiro na perna. Não esperava jamais que isso fosse acontecer”, lamentou.

Tiros quase atingem prefeito eleito

Dois tiros atingiram o trio em que estavam o prefeito eleito Nem da Padaria e a vice Suely. Eles estavam no palanque quando as balas caíram próximas a eles. “As balas vieram de cima para baixo, já sem força, mas poderiam ter ferido ou até matado o prefeito e as outras pessoas que estavam em cima do palanque”, contou uma testemunha do episodio que sua identidade não fosse revelada.

Vítima em estado grave 

Das cinco pessoas que foram atingidas pelos disparos e deram entrada no Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande, duas continuam internadas.  Uma em estado grave: João dos Santos, 78 anos, passou por cirurgia e continua internado.  Jefferson Marcelo Jorge da Silva, 27 anos também segue internado na área amarela, com quadro clínico estável.  As outras vítimas receberam alta e foram liberadas.

Crime foi planejado

O Superintendente da Polícia Civil da Região de Campina Grande, Lúcio Soares, acredita que os bandidos premeditaram a morte do escrivão da Polícia Civil, Marcos Rosas. Ele foi atingido por cerca de dez tiros e morreu no local em que estava sendo realizado o evento. Para o superintendente da PC, a ação foi uma represália de traficantes que atuam na região.

“Como Marcos estava realizando um mapeamento das áreas de atuação do tráfico e recentemente, devido a esse trabalho, a polícia conseguiu desarticular 15 bocas de fumo, os traficantes planejaram a execução do companheiro que era bastante atuante na região”, comentou Lúcio Soares.

Menores atiram

O grupo que invadiu a festa era formado por seis pessoas, sendo três menores de idade. Segundo Lúcio Soares, eles foram os responsáveis pelos disparos que matou Marcos Rosas e feriu mais cinco pessoas. “Esse grupo tinha uma única missão: matar Marcos. Os menores já confessaram isso. E acreditamos que eles atiraram no policial”, reforçou.

Apesar de ter prendido o grupo que participou do crime em Arara, Lúcio Soares adiantou que por trás dessas pessoas deve existir alguém do alto escalão do tráfico. “Nós temos que saber quem são essas pessoas, pois essa ação demonstra uma clara retaliação do tráfico ao trabalho que vem sendo realizado na região contra essas pessoas”, ressaltou Lúcio Soares.

Suspeito é morto

Durante a ação da polícia em busca dos suspeitos, um adolescente de 15 anos morreu, um foi apreendido e três homens maiores de idades foram presos. O Superintendente da Polícia Civil da Região de Campina Grande, Lúcio Soares, declarou que os menores receberam a polícia a tiros. “O menor que morreu, conhecido como Bebeto, tem um histórico de violência, inclusive, já tentou matar um policial em uma abordagem em João Pessoa. Ele reagiu a nossa abordagem e morreu durante a fuga”, afirmou.

Combate ao crime vai continuar

O secretário de Segurança, Cláudio Lima, rechaçou a ação dos criminosos e garantiu que o combate ao trágico e a criminalidade em Arara e nas cidades vizinhas continuará de forma mais intensa. Segundo ele, a polícia não vai ser curvar a retaliações. “A polícia não vai recuar diante de situações como esta. Foi pior para eles (criminosos). Nós vamos para cima deles até limpara toda a região de elementos que tentam intimidar a polícia. Vamos unir várias forças de segurança para atuar na região”, adiantou Cláudio Lima.

 

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