segunda, 23 de abril de 2018
Violência
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Marginalidade pode vir do meio social ou ser tendência, afirmam psiquiatras

Ainoã Geminiano / 15 de novembro de 2015
Foto: Rafael Passos
Estudos feitos pela Sociedade Brasileira de Psiquiatria revelam que a criança que vive em um ambiente marginalizado tem três vezes mais chances de se tornar delinquentes de que a que vive em ambiente saudável. Para o psicanalista Tibério Pessoa, isso é explicado por um comportamento cognitivo comportamental, no qual a criança repete o contexto que recebe. “Se a simbologia que recebo é não obedecer a quadros éticos, morais e sociais, é isso que irei fazer”, afirmou. Em outra vertente, a delinquência infanto-juvenil pode ser furto da desestabilidade do temperamento da criança. “Ela procura meios de se identificar com a família e pode facilmente encontrar na violência a estratégia que julga adequada”, acrescentou. Nas duas situações, o especialista orienta os pais a buscar ajuda, ainda que não seja profissional, para não ser induzindo a erro, ao agir por conta própria.

Na infância. João cresceu observando a atividade do tráfico de drogas na rua em que morava. Aos 5 anos, já via o irmão militar no “movimento”. “Logo cedo fui prestando atenção naquilo e achando interessante”, disse. Mas ele foi um dos casos em que a família não percebeu o que acontecia na infância e não enxergou os resultados que o mundo em volta poderia produzir. “Quando ele era pequeno não saía dos meus pés. Para todo canto que eu ia, ele queria ir também. Essas coisas vieram aparecer agora, aos 14, 15 anos dele”, disse o pai Manoel Humberto.

As lembranças dele não são as mesmas do filho, sobre o início da delinquência. Embora ele não “saísse dos pés” paternos, a mente já estava ligada no crime. “Quando eu tinha 13 anos, meu irmão resolveu deixar o tráfico, porque já era muito ameaçado e preferiu mudar de vida. Eu assumi o lugar dele. Mas antes disso já tinha passado nove vezes pela delegacia, sendo liberado depois que meu pai pagava aos policiais”, contou.

Leia a reportagem completa no jornal Correio da Paraíba

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