domingo, 22 de abril de 2018
Violência
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Irmã de Everton era a próxima vítima do ritual de magia negra da mãe e do padrasto

Giovannia Brito e Nice Almeida / 17 de outubro de 2015
Foto: Reprodução
Um crime cruel, sem precedentes e que poderia ter feito mais de uma vítima. A irmã do menino Everton Siqueira da Silva, brutalmente assassinado no município de Sumé, também estava na mira dos acusados do crime. A menina, que tem entre sete e oito anos, acabou não sendo "sacrificada" em um ritual de magia negra, porque conseguiu fugir dos envolvidos no crime. Nessa sexta-feira (16), após a prisão do 'pai de santo', Wellington Soares Nogueira, a Polícia Civil deu o caso por desvendado e confirmou a participação da mãe e do padrasto do menino no assassinato.

Wellington foi preso em Sumé e confessou ter participado da morte da criança juntamente com o ex-presidiário, Denivaldo Santos Silva, 37, a mãe Laudenice dos Santos Siqueira, 22, e o padrasto Daniel Ferreira dos Santos, 31. Ele contou que Denivaldo segurou a criança e o padrasto o matou, fazendo inicialmente o corte do tórax até a virilha da criança. Em seguida, com Everton já agonizando, ele cortou o pescoço, decepou o pênis e os testículos. A mãe assistiu toda a cena e ajudou a tirar o sangue, que foi colocado em um balde preto e levado por ela. Ontem, ela também confessou o crime.

A Polícia Civil informou que no depoimento o Pai Etinho, como é conhecido na região, revelou que João Batista de Sousa, 28, que tinha problemas mentais, e que foi assassinado ontem, por Daniel dentro do presídio do PB1, não teve nenhuma participação no crime. De acordo com o delegado, Rodrigo Monteiro, na manhã da terça, o padrasto o encontrou próximo a uma escola e o chamou para colocar um lixo dentro de uns sacos, já que ele faz esse tipo de serviço em Sumé. “Mas na verdade ele queria atraí-lo para a vala onde estava o corpo. Quando chegou próximo ao local, uma mulher passava por perto e o Daniel começou a gritar apontando para o João Batista e para o corpo da criança, dizendo que ele tinha matado o Everton”, disse.

Ao raptar o menino, ele o levou para um sítio conhecido como Boqueirão de Sumé, onde tem um açude. “Foi nesse local que o padrasto matou Everton, com a ajuda dos outros três. Depois de tirarem o sangue, a mãe colocou no balde preto. Em seguida, eles levaram o corpo para ser lavado no açude e o esconderam por trás de umas pedras e foram embora”, explicou o delegado.

Na segunda-feira, o padrasto voltou ao local, pegou o corpo e levou até a vala, no bairro de Frei Damião.

“Eles fazem parte de uma seita que trabalha fazendo sacrifícios para oferecer a uma entidade com a intenção de ficarem livres de maldades e de mortes. Tudo indica que Everton tenha sido assassinado também por essa causa”, revelou o delegado regional, João Joaldo Ferreira.

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