quarta, 25 de novembro de 2020

Violência
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Irmão de paraibano esquartejado na Espanha chama assassino de monstro

Adriana Galvão / 20 de setembro de 2016
Isso é imoral. Isso é um monstro, isso não é um ser humano não!”. Emocionado e em estado de choque, o empresário Valfran Campos Nogueira, irmão de Marcos Nogueira, encontrado morto e esquartejado ao lado da mulher e dois filhos na Espanha, disse que a notícia foi um “baque muito grande para a família” que mora em João Pessoa. 

Valfran disse que eles estavam achando estranho o silêncio do irmão que há mais de um mês não se comunicava. “Eu sempre recebia notícias, falava pela internet e a gente começou a ficar preocupado com a ausência, embora nunca imaginasse que uma tragédia dessas pudesse acontecer”, falou.

O empresário disse que começou a desconfiar de algo quando um cunhado ligou para dizer que tinha visto a notícia de uma família encontrada morta na Espanha. “Quando vi o local onde tinha acontecido tudo tive certeza que eram eles. Meus Deus, não entendo como isso aconteceu. Nossa família é tão tranqüila”, falou Valfran. Ele disse que logo que recebeu a notícia tentou contato com os consulados do Brasil e da Espanha, mas sem sucesso e no final da tarde dessa segunda-feira (9) teve a confirmação.

“Se ele cometesse um erro, esse erro teria que ser resolvido de outra forma, não tirar a vida dele do jeito que foi. E não dos filhos nem da mulher dele que não tem culpa!”, questionou. A notícia deixou em choque também a família de Janaína, que mora em João Pessoa. O pai dela passou mal e precisou ser internado após um pico de hipertensão. “Acabou com nossa família. Acabou! Até as crianças eles nem pouparam”, disse Morgana Nayra Nogueira, prima de Marcos.

Os familiares das vítimas não sabem o que pode ter motivado o crime e aguardam a liberação dos corpos junto à Embaixada do Brasil na Espanha.

 ENTENDA O CASO

Marcos Nogueira, 40 anos, era natural de Goiás e casado com a paraibana Janaína Santos Américo, 39 anos. Eles eram pais de uma menina de 4 anos, nascida no Brasil, e um menino de apenas 1 ano, nascido na Espanha. Na madrugada do domingo (8) os corpos deles foram encontrados em uma casa num condomínio residencial localizado no povoado de Pioz, província espanhola de Guadalajara, a 60 km da capital Madri.

O jornal espanhol El País publicou que os corpos do casal foram encontrados esquartejados em sacos plásticos, enquanto que os das crianças estavam intactos. As autoridades espanholas acreditam que o crime foi um acerto de contas.

A hipótese foi reforçada pelo presidente da Sociedade Espanhola de Perfis Criminais, Juan Francisco Alcaraz, em entrevista à Folha de S. Paulo.

O especialista acredita que o fato de que as crianças não foram esquartejadas passa a mensagem de que os assassinos queriam vingança apenas contra os pais. "Eles estão dizendo que os jovens eram inocentes e foram um dano colateral", disse Alcaraz à publicação.

Ele também acredita que o crime foi praticado por uma grande organização criminosa. No entanto, até o momento, não existem indícios da participação do casal em esquemas ilícitos que fundamentem melhor esta tese. Ainda à Folha de S. Paulo, moradores do condomínio disseram que quase nunca encontravam a família nas ruas.

A casa onde os brasileiros foram achados estava quase vazia, o que, para o El País, indica que as vítimas fugiam de alguém. Pelo estado dos corpos, as autoridades espanholas acreditam que o crime tenha ocorrido há pelo menos um mês, segundo divulgado pelo jornal. Os corpos foram encontrados depois que um vizinho se queixou de mau cheiro vindo da casa.

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