terça, 29 de setembro de 2020

Violência
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Fui roubado e não dei queixa: mais de 60% das vítimas não vão à delegacia fazer boletim

Bruna Vieira / 30 de abril de 2016
Foto: Divulgação
As ferramentas tecnológicas tem ajudado a população a ter mais informações sobre assaltos e furtos ocorridos em todo o Brasil. O site Onde Fui Roubado estima que R$ 230 mil são levados por ano pelos assaltantes somente em João Pessoa, 12ª com mais crimes. A maior parte dos crimes ocorre à luz do dia. Das denúncias que chegam ao portal, 60,6% das vítimas declararam que não registraram o boletim de ocorrência. Em Campina Grande, a 17ª com mais delitos, este índice chegou a 68,6%. A Secretaria de Estado da Segurança e da Defesa Social informou que o boletim deve ser feito, pois, é através dele que a polícia traça as ações estratégicas para os bairros com mais queixas.

O site, que reúne informações desde 2012, registrou um prejuízo estimado em R$ 935.415,61 nas 909 denúncias sobre crimes em João Pessoa. Nesse período, 54% das vítimas eram homens e 53% dos casos ocorreram durante o dia. Dos 187 crimes relatados na capital no ano passado, boa parte das vítimas estava voltando da universidade ou do trabalho e 58% dos assaltos ocorreu durante o dia. Este ano, esse percentual subiu para 63%, sendo que das 59 denúncias, 41% eram homens. Esse número não representa a totalidade dos casos, pois, nem todas as vítimas relataram as ocorrências na ferramenta, que além de disponível na web, também possui aplicativo para dispositivos móveis.

robos JP CG

Crimes mais cometidos desde 2012:

Roubos (529)

furtos (186)

Assaltos a grupo (97)

Arrombamentos veiculares (39)

Roubos de veículos (19)

Arrombamentos domiciliares (13).

Objetos mais furtados em João Pessoa:

Bolsa ou Mochila

Cartão de Crédito

Carteira

Celular

Bicicleta

Ocorrências desde 2012 em JP

714 celulares

239 carteiras

253 outros

225 bolsa ou mochila

198 documentos

148 cartões de crédito

72 relógios

58 dinheiro em espécie

Campina Grande

Em Campina Grande foram 509 denúncias de 2012 até ontem. Somente 31,4% denunciaram à polícia. O prejuízo estimado é de R$ 510.449,60. Em 66% dos casos as vítimas eram homens e 59% foram durante o dia. Os crimes mais cometidos foram: roubo (329), furto (148), assalto a grupo (76), arrombamento veicular (20), roubo de veículo (7), arrombamento domiciliar (4). Este ano foram 21 crimes, 71% durante o dia. As mulheres representam 86% das vítimas. A maioria estava voltando da universidade nos bairros Centro, Cruzeiro e Malvinas. No ano passado foi o dobro de crimes, mas, a maioria também ocorreu de dia (52%).

Ocorrências desde 2012 em CG: Pizza

444 celulares

161 carteiras

195 outros

143 bolsa ou mochila

107 documentos

71 cartões de crédito

48 relógios

20 dinheiro em espécie

Objetos mais furtados em Campina Grande:

Bolsa ou Mochila

Cartão de Crédito

Carteira

Celular

Dinheiro

Em Patos

Desde 2012, o site registrou quatro ocorrências em Patos. A última foi uma mulher, vítima de furto enquanto ia à casa de um amigo no bairro Santo Antônio à noite há cerca de um mês. As outras ocorrências são de homens e aconteceram durante o dia. Todas as vítimas registraram Boletim de Ocorrência. O prejuízo estimado chega a R$ 7.500,00 em dinheiro, cartões de crédito, carteira, celular e notebook.

 Subnotificação

A delegada Cassandra Duarte, assessora de ações estratégicas da Seds informou que as ferramentas digitais ajudam e são uma das fontes utilizadas, porém, não são fonte oficial. “A nossa estatística é multifontes e considera fontes abertas, como os sites e grupos de redes sociais. Consultamos todas as fontes e realizamos acompanhamento estratégico nas áreas que necessitam mais intervenções. Não divulgamos os bairros mais violentos porque isso gera inúmeras complicações, desde a vitimização da população que mora lá, até especulação imobiliária”, afirmou.

Cassandra comentou as estatísticas do site. “Isso mostra a subnotificação. É de fundamental importância fazer o B.O. Quando chama a PM é para pronto atendimento, mas ainda não está registrado, com detalhes de local, tipo de abordagem. A delegacia online é uma excelente ferramenta para furtos sem violência, sem contar que é possível dar queixa em qualquer delegacia do Estado, mesmo não tendo ocorrido lá. Temos que ter cuidado com essas fontes porque ela pode apontar mais crimes em um determinado momento, mas pode não ser verdade naquela região, porque esse dado varia muito. A partir do momento que a polícia intensifica o trabalho em um lugar, a criminalidade muda para outro. As ações têm que ser constantes”, ressaltou.

A delegada informou ainda que um novo sistema de procedimento da polícia civil está sendo customizado e vai permitir estatísticas detalhadas sobre os objetos roubados. “Será possível o cadastro de todos os objetos. Nosso esforço é para que esteja funcionando até o fim do ano. isso ajudará a traçar o perfil dos crimes. Só para dar um exemplo, havia um homem em Mangabeira que agia sempre da mesma forma, com um facão. A partir dessa informação, a inteligência conseguiu prendê-lo. Outro ponto importante é a oferta e a procura. De não comprar produto roubado. Se está mais barato que o normal e não tem nota fiscal, em tese se sabe que tem um problema. Depende da postura ética da sociedade”, concluiu.

A reportagem do Jornal Correio solicitou há quase um mês as estatísticas oficiais sobre assaltos. Até o fechamento desta edição, não houve resposta. A Seds não especifica os tipos de objetos furtados.

Dicas de segurança nas ruas:



  • Previna-se contra a ação dos marginais não ostentando objetos de valor como relógios, pulseiras, colares e outras jóias de valor.


  • Evite passar em ruas ou praças mal iluminadas.


  • Se sentir que está sendo seguido, entre em algum estabelecimento comercial ou atravesse a rua.


  • Não saia com grandes quantias de dinheiro ou cartões de crédito se não houver necessidade.


  • Não abra a carteira ou a bolsa na frente de estranhos.


  • Ao sair sozinho, procure sempre ficar no centro da calçada e na direção contrária ao trânsito. Fica mais fácil perceber a aproximação de um veículo suspeito.


  • Não deixe de comunicar a presença de elementos suspeitos nas proximidades de sua casa.


  • Ao retornar, notando algum sinal estranho (porta aberta, luzes acesas, etc.), não entre em casa, chame a polícia.




 

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