quinta, 24 de janeiro de 2019
Violência
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Feira facilita assaltos em Campina Grande e vítimas não denunciam

Fernanda Figueirêdo / 22 de dezembro de 2018
Foto: Antonio Ronaldo
Assaltos, medo, agressões físicas e verbais em plena luz do dia já fazem parte da rotina da Praça Clementino Procópio, no Centro de Campina Grande. Na cidade, praticamente todo morador ou já foi vítima ou conhece alguém que tenha sido abordado nas redondezas por menores infratores e assaltantes que não se inibem com as rondas policiais que acontecem no lugar. De acordo com o comando do 10º Batalhão de Polícia Militar da Paraíba, responsável pela segurança do setor, a feira clandestina instalada ao lado, em frente às ruínas do antigo Cine Capitólio, facilita ações delituosas em qualquer área da praça, localizada entre a Avenida Floriano Peixoto e as ruas 13 de Maio, Irineu Joffely e Vidal de Negreiros.

“O problema é notório e claro. Quando olhamos para aquela aglomeração de pessoas fazendo comercialização de produtos de origem, no mínimo, duvidosa, percebemos o quanto a feira clandestina facilita ações delituosas no espaço, que inclusive é totalmente inapropriado para esse fim. ”, afirma o comandante do 10º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Rogério Damasceno.

O comandante ressaltou ainda que desde setembro tenta discutir a situação junto ao Conselho de Segurança de Campina Grande (Conseg), que é um órgão da sociedade civil, criado pela Lei Municipal nº 5.404/2013, constituindo-se num espaço em que a comunidade, através de seus representantes, pode dirigir suas denúncias e reclamações relacionadas à insegurança pública no município, além de conhecer as iniciativas de combate à violência.

“Acredito que só poderemos nos reunir no próximo ano. Mas é interessante levar essa discussão para o conselho, porque agora o problema do comércio clandestino está bem maior, não se concentra apenas na Praça Clementino Procópio, mas também nas calçadas próximas à Praça da Bandeira. Em nosso policiamento ordinário atuamos no centro da cidade como um todo, com policiais que circulam em viaturas e motocicletas da Rotam, mas como eu disse, é muito fácil para um criminoso fugir em meio àquela multidão”, explica Damasceno.

No Centro. A administradora Jane Morais conta que já foi vítima de assalto no centro da cidade em duas ocasiões.

“A última eu estava passando na praça por volta das cinco da tarde, quando um homem aparentando ter mais de 25 anos me jogou contra a parada de ônibus e ficou a centímetros de distância de mim, disse que estava com uma faca e que eu passasse o celular e que saísse sem olhar para trás, se não ele me furava. O pior é que todo mundo estava ali e ninguém fez nada”, disse.

Vítimas não denunciam



Jane Morais revelou que não, procurou a polícia “. Todo mundo sabe que é perdido e que nunca resgatam os objetos roubados. Quando passamos por um momento assim, já nos damos por satisfeitos de não sairmos feridos. Eu me sinto insegura, em qualquer bairro, mas no Centro é pior, porque tem os furtos”, diz.

A Delegacia de Polícia Civil que recebe as denúncias de crimes ocorridos no Centro de Campina Grande é a 2ª Distrital, localizada na Rua Sebastião Donato, número 3, no mesmo bairro. A delegacia também recebe denúncias de crimes nos bairros Alto Branco, Palmeira, Jardim Continental, Cuités, Conceição, Louzeiro, Lauritzen e Bairro das Nacões.

O delegado Luciano Mendonça, da 2ª DPC, diz que o bairro campeão de denúncia é o Alto Branco, embora possa haver subnotificação, já que muitas pessoas assaltadas no Centro da cidade não procuram a Polícia Civil. “É importante que as vítimas de assalto, furto ou agressão denunciem. Caso contrário, como a demanda é muito grande, o procedimento fica arquivado”, ressalta Luciano.

Segundo o delegado, em média, a 2ª DPC recebe 200 Boletins de Ocorrência mensalmente. No mês de outubro foram 42 ocorrências de furto ou roubo. Dessas, 26 no Centro, duas na Praça Clementino Procópio e uma na Praça da Bandeira. “Acredito que as pessoas não estão denunciando. Para resolver esse tipo de problema em praças basta ostensividade, colocar policiais militares para fazerem a vigilância do local”, pontua. FF

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