terça, 01 de dezembro de 2020

Violência
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Doenças e violência matam 75 paraibanos todo dia e deixam marcas em quem sobrevive

Lucilene Meireles / 05 de agosto de 2016
Foto: Divulgação
Durante o dia de hoje, 163 crianças devem nascer na Paraíba, considerando a média do ano passado (Sinasc/SES), mas, nas mesmas 24 horas, 75 pessoas darão adeus a esse mundo. Os números só confirmam o que o dia a dia já mostra: viver é um desafio diário.

Além das velhas doenças que continuam matando, como o câncer e as cardiopatias, aparecem as mais recentes, a exemplo da zika e chikungunya. Como se não bastasse, a violência crescente tem tornado a tarefa de se manter vivo cada vez mais difícil. Por dia, 4 pessoas são assassinadas na Paraíba e a situação parece incontrolável; no trânsito, são quase 3 óbitos diários, aniquilando vidas. Os números altos assustam e levam a uma pergunta: o que fazer para ficar vivo?

“Infelizmente, o Brasil é um dos campeões mundiais de acidentes de trânsito. Ano passado, cerca de 50 mil morreram no País. Em 2014, foram 44,3 mil. No mesmo ano, foram 15 mil mortes por câncer de mama e outras 15 mil por câncer de próstata, ou seja, o trânsito mata mais do que o câncer. E mais, 70% das vítimas têm entre 20 e 40 anos, em plena idade produtiva”, avaliou o superintendente da Semob, Carlos Batinga.

Além da violência no trânsito, as mortes têm ligação direta com substâncias ilícitas e uso de armamentos cada vez mais pesados pelos bandidos. “Drogas, armas, geram lucros, o que faz aumentar ainda mais a violência. A situação pode piorar. Essa nossa estagnação é que permite isso. Temos que nos dar conta de afastar a violência. Saídas existem, mas as que foram dadas até o momento não resolveram. Tem que ter um pensamento coletivo”, opinou Almir Laureano, coordenador do Movpaz na Paraíba e vice-presidente do Conselho Nacional de Segurança Pública, do Ministério da Justiça.

Ladrão morto, vítima esfaqueada

Por volta das 10h15 de quinta-feira (04), Felipe André de Medeiros, 18 anos, morreu durante um assalto em uma agência de vendas de passagens na Rua Aprígio Veloso, no bairro Bodocongó. Ele foi baleado por um policial e não resistiu aos ferimentos. Já na última quarta-feira, uma estudante de pedagogia foi esfaqueada durante um assalto feito por dois adolescentes a um ônibus. Na manhã do mesmo dia, um jovem de 18 anos foi encontrado morto e um vigia foi baleado quando reagiu a um assalto no distrito Lagoa de Dentro.

De acordo com testemunhas, Felipe entrou no guichê com um revólver, anunciou o assalto e tomou o dinheiro de uma das vítimas. Um policial estava à paisana no local e atirou duas vezes contra o suspeito. Imagens das câmeras de monitoramento já estão em poder da polícia.

A delegada titular da Delegacia de Homicídios, Maíra Roberta, disse que as imagens mostram que o policial agiu em defesa de sua vida. Felipe, também conhecido como Couro, morava no Pedregal e chegou ao local, sozinho, em uma bicicleta.

Vigilante baleado. O vigilante Fernando Santana, 43 anos, foi baleado com dois tiros após reagir a um assalto no distrito Lagoa de Dentro, em Campina Grande, na tarde da última quarta-feira.

A família do vigilante informou à polícia que ele tinha sacado R$ 5 mil em um caixa eletrônico quando foi abordado por um homem, que estava com um revólver, em uma motocicleta. O vigilante puxou uma faca e entrou em luta corporal com o suspeito, que atirou duas vezes e foi esfaqueado.

A Polícia Militar foi acionada quando o suspeito deu entrada no Hospital Municipal de Queimadas. Os policiais fizeram buscas na casa dele e encontraram um revólver calibre 38, uma garrucha e uma carteira com documentos pessoais do vigilante. O dinheiro não foi achado. Ele recebeu atendimentos e deve ser encaminhado a um presídio quando receber alta.

O vigilante foi levado para o Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande, onde passou por cirurgia. Até a tarde de quinta, o estado de saúde dele era considerado grave.

Atitude positiva para ter equilíbrio

Especialistas afirmam que estar perto das pessoas fisicamente e fazer o que se gosta ajuda a enfrentar as dificuldades, mas é preciso, acima de tudo, pensar positivo para manter o equilíbrio emocional.

“Devemos encarar o máximo possível a vida com a possibilidade de um horizonte lá na frente, com uma mudança que virá para o bem. Isso vai desenvolver mecanismos de defesa emocional, que leva ao equilíbrio biológico, físico, orgânico”, declarou o psicólogo social Nilton Formiga.

Isso, segundo ele, ganha força quando as pessoas começam a se unir com grupos que pensam da mesma forma, como em escolas, igrejas, e alternativas, como as ligadas à filosofia oriental.

“Essa busca por sobreviver e lidar com esses medos, o risco da violência, vai levar a duas grandes dimensões. A positiva é que as pessoas poderão se aliar a outras, buscar relacionamentos mais harmônicos na busca do autocontrole. A negativa é a busca do isolamento. As pessoas ficam segregadas porque têm medo de tudo”, analisou.

Desequilíbrio incapacita. A atual situação do País, com desemprego, mais assaltos, insegurança, medo de perder emprego, traz depressão, ansiedade, sofrimento e até limitações. Um receio muito grande de perder o emprego pode gerar depressão, que é um problema incapacitante, de acordo com o psiquiatra Estácio Amaro, presidente da Associação Paraibana de Psiquiatria (APP). Para ele, é preciso trabalhar com prevenção.

“Não podemos nos fechar numa redoma de vidro, nem nos isolarmos porque a rua está perigosa. As coisas que vêm acontecendo assustam porque são inconclusivas. Temos que buscar o bem estar físico e mental, através de atividades físicas e uma dieta equilibrada. Unir a questão da prevenção, fazendo coisas que se gosta, o que é importantíssimo”, ensinou. A falta desse equilíbrio, segundo ele, pode desencadear um transtorno mental.

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