domingo, 15 de setembro de 2019
Violência
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Criança é vítima de tortura e suspeita é a mãe, em Campina Grande

Wênia Bandeira / 12 de julho de 2019
Um menino, de sete anos, foi encontrado com diversos ferimentos e muito abaixo do peso ideal. A Polícia Civil acredita que ele tenha sido torturado pela própria mãe, na cidade de Boqueirão, na região metropolitana de Campina Grande. A denúncia da situação do menino foi feita pela professora da criança que viu uma grave ferida na sua cabeça e marcas pelo corpo. A mãe do garoto responderá por tentativa de homicídio.

Segundo o delegado seccional da área, Iasley Almeida, o menino relatou que a mãe sempre amarrava seus pés. O garoto voltou a morar com a mãe há 40 dias, após passar um ano e nove meses sob tutela da avó.

“Ele tem marcas de lesão nos tornozelos e nos testículos. A mãe lesionava com fio amarrando os testículos. Além disso, queimou com vela, mostrando claramente sua intenção em torturá-la para obter um mal maior, que seria a sua morte”, afirmou o delegado.

A criança estava faltando às aulas na escola, o que fez com que a professora Leila Macedo desconfiasse. Ela foi visitar o menino e o encontrou, segundo ela, com várias marcas de tortura. “A mãe falou que ele tinha caído andando de bicicleta e por isso estava usando um boné e com vergonha de ficar na escola porque os garotos iam rir dele por estar usando boné. Mas quando eu fui olhar, estava com uma ferida muito grande na cabeça que não podia ter sido provocada por uma queda de bicicleta”, comentou Leila Macedo em entrevista a TV Correio.

Segundo a polícia, o ferimento na cabeça teria sido provocado por um ferro quente. A PC ainda informou que não há registros de que a Maria Aparecida tenha problemas mentais que tenham provocado esta reação contra o próprio filho.

Denúncia. A professora do menino fez a denúncia após verificar várias lesões no corpo da criança.

Histórico de maus tratos

O menino foi resgatado na quarta-feira e demonstrou também sinais de fraqueza que podem ter sido provocados por falta de alimentação. A professora falou que ele caiu várias vezes durante o percurso e que tudo que era dado ele comia, parecendo que estava sem comer há vários dias.

“A gente chamou o Conselho Tutelar que tomou as providências para que essa criança fosse socorrida, porque eu acho que com uma semana ele não sobreviveria mais. Aquela criança precisava de ajuda, então eu resolvi falar porque a gente tem que fazer a nossa parte”, acrescentou Leila.

A conselheira tutelar, Rita dos Santos, explicou que o garoto vinha sendo acompanhado e que Maria Aparecida havia perdido a tutela. “Ele morou um ano e nove meses com a avó porque sofria maus tratos da mãe, mas o caso foi arquivado e ele voltou para a casa da mãe”.

O conselho abriu então um procedimento de emergência e o levou para o Hospital de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes. Ele está internado na ala pediátrica com estado de saúde estável e sem previsão de alta.

Segundo nota do hospital, o menino foi diagnosticado com anemia, desnutrição proteico calórica, sinais de hematomas e queimaduras diversas pelo corpo. Ele tem um irmão de um ano e seis meses, mas o mais novo, filho do atual marido de Aparecida, não tinha sinais de maus tratos.

A mãe responderá por tentativa de homicídio por tortura e crueldade. A pena, com agravantes por ser mãe, é de 12 a 30 anos de reclusão.

 

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